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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: DESCULPEM A NOSSA FALHA!

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      Passei os últimos dias observando reações advindas de (quase) todos os espectros ideológicos a respeito dos recentes acontecimentos políticos no país. Não, não estou alheio a tudo o que está acontecendo, nem me considero “em cima do muro” apenas por não bradar por esta ou aquela “tese”, tampouco por não me expressar de forma contundente em redes sociais ou coisa que o valha! Ocorre que tenho, nas últimas semanas, me preocupado em compreender como falhamos/ falhei terrivelmente na educação de crianças, adolescentes e jovens na árdua tarefa de lhes ensinar História (e agora, na formação de professores do componente curricular). Sim, caros leitores, estou de volta aos textos de autocrítica, coisa que sinto falta à esquerda, à direita, ao centro ou à qualquer direção para onde dirijo meu olhar inquieto. Me pergunto, por exemplo, como indígenas que passaram por minhas salas de aula conseguem defender a estupidez humana, em forma de pré-candidato à Presidência, quando se sabe, por meio de entrevistas concedidas e de outras aparições midiáticas, que o tal cidadão (!) afirma que irá rever as demarcações de terras indígenas e quilombolas Brasil afora, pois considera que muitos sequer sejam, de fato, quem afirmam ser, ou seja, portadores de direitos históricos e seculares. Vejo colegas salivando raivosamente com as últimas determinações do governo sobre a Base Nacional Comum Curricular, especialmente a do Ensino Médio, e pensando que quando tivemos efetivamente a chance de dialogar sobre esse assunto, em 2015 e no início de 2016, gastamos tempo e energia nos digladiando, envoltos em preconceitos e estereótipos, ao invés de pensarmos no bem comum. Como queremos dar certo como país se não fazemos/ fizemos a lição de casa, que é cuidar da Educação Básica com todo o zelo que é necessário? Ouço aqui e ali gentes dizendo o quanto melhoramos nos últimos anos (coisa de que não tenho dúvida alguma) em tantos aspectos/ indicadores – políticos (?), econômicos, sociais, etc. –, mas não tenho lido/ ouvido/ sentido nada ou quase nada que se refira ao fato de que desde que nos tornamos um Estado-nação, politicamente independente de Portugal, não demos conta de educar a todos, com qualidade, desde a mais tenra infância. Agora estamos diante de paradoxos, dúvidas cruéis, recrudescimento da violência e de tantas coisas que gostaríamos que estivessem (para sempre) no passado. “Eu não falo com fascistas”, “eu os deleto”, e blábláblá... “Eu não assisto TV”. Mas a TV não se encontra, ainda, onipresente, nos lares de milhões de brasileiros? Por que não nos dispomos a ensinar os alunos a “lerem”, à maneira ensinada por Paulo Freire, o mundo que os cerca e que inclui, também, a televisão? Pois bem, o que vamos fazer com todas essas pessoas que destilam ódio em suas palavras e ações, um ódio dirigido, por exemplo, a inúmeros segmentos de nossa sociedade – negros, indígenas, mulheres, homossexuais, etc.? Quem irá educá-los? O que será de seus filhos e netos? Confesso não ter respostas prontas, tampouco fórmulas mágicas para resolver tais questões, mas fico com a “pulga atrás da orelha” com simplificações extremadas, explicações rasas sobre tudo o que estamos vivenciando neste momento histórico. É difícil, realmente, lidar com quem não quer dialogar, não se dispõe a se “desarmar” e ouvir, com paciência, o que o Outro tem a dizer. Mas, o quanto cada um de nós, inclusive eu, estamos dispostos também ao diálogo, sem xingar a mãe do Outro? Será que fizemos tudo certo? (Duvido!). Será que tentamos fazer tudo certo? (Também duvido!). Será este o caminho a seguir, o da desesperança e o do rancor? Não há, pois, vencedores e vencidos nessa história. Estamos todos temporariamente derrotados por não conseguirmos vencer o enorme desafio de educar milhões e milhões de crianças, adolescentes e jovens ao longo das últimas décadas no Brasil. Mais fácil xingá-los de “pobres burros”, de “alienados coxinhas”, de... Temos uma dívida enorme com as futuras gerações de brasileiros e brasileiras, os que virão depois de nós. Poderíamos começar a fazer a mea-culpa lembrando que não haverá salvação se continuarmos a esperar – com um quê de sebastianismo herdado dos portugueses – um “Messias” a liderar a todos, como se cada um não tivesse, de fato, compromisso com a construção da História/ história. Desculpem a minha/ nossa falha!

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