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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: NA CASA DE MEUS PAIS

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         Já faz um bom tempo (quase três meses) que não escrevia para a minha coluna em O Pantaneiro. Preguiça? Falta de tempo? Outras prioridades? Desânimo? Talvez um pouco de tudo isso e algo mais. O fato é que tenho me debatido com algumas ideias que destoam do que vejo a minha volta e fico tentando entender em que, como professores de História, falhamos terrivelmente! Sim, caros leitores, de muito pouco ou de nada adiantará, em minha modesta opinião, continuarmos a reclamar de que determinado candidato a presidente do Brasil tem ideias e ações inspiradas no fascismo/ nazismo se não olharmos para o presente e o passado e verificarmos como em nossas escolas foram construídas as ideias do que seja História. Um componente curricular de tamanha importância, maltratado por professores que imaginam que se falarem, falarem, falarem por horas ou que se passarem longos questionários ou leituras de livros didáticos aos seus alunos estarão ensinando, de fato, alguma coisa aproveitável! Alguns dirão que se esforçam e apresentam filmes/ documentários, esquecendo-se de comentar que, muitas vezes, um filme inteiro recobre os horários em que a exploração, a compreensão, a interpretação e a crítica dos fatos deveriam ser as atividades-chave em suas aulas. Pergunte aos alunos o que lhes parece mais chato e aborrecido na escola e as respostas recairão, invariavelmente, sobre a História e suas “velharias”, “coisas do passado”. Por que não conseguimos fazer nossas crianças, adolescentes e jovens entenderem que a escravidão de africanos e de seus descendentes por mais de 300 anos foi um processo atroz que nos construiu como sociedade racista e preconceituosa que somos até hoje, no início do século XXI? Por que é tão difícil falar sobre nossas origens indígenas, quando muitos de nós trazemos na alma e na pele a marca dos povos nativos que habitaram/ habitam o continente americano? Por que migrantes do mundo não europeu, como os árabes, não são respeitados em suas idiossincrasias culturais, religiosas, etc. e sobre eles e outros pesam tantos estigmas e inverdades? Deve ser porque queremos, desejamos ardentemente ser “mais” europeus e “menos” ou “nada” indígenas e afrodescendentes! Deve ser, também, por isso que nas discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular, entre 2015 e 2016, as enxurradas de críticas vieram justamente de professores de História, sentindo falta da Antiguidade Clássica, da Inconfidência Mineira e dos cânones consagrados pela História quadripartida (Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea). Afinal, falamos Português e somos de maioria cristã, graças aos portugueses, mas não nos questionamos que foi/ é sob o intenso signo da violência que nos tornamos assim. Voltando ao tal candidato, me posiciono/ posicionarei sempre contra suas bravatas, seus grosseiros erros historiográficos/ históricos e contra suas mentiras deslavadas ditas em rede nacional de rádio e televisão e na Internet. Contudo, e para variar, não posso me eximir da responsabilidade de ter dado aulas muitas vezes no automático, de ter negligenciado a formação de alunos e alunas e não ter percebido que ali eu também estive colaborando para chocar o ovo da serpente! Espera-se muito mais de nós, professores de História, do que textos revoltados em redes sociais, piadas sobre o avanço de ideias e ideais totalitários. Precisamos nos (re)pensar e (re)agir, se quisermos, de fato, fazer a diferença! A atitude de “não temos nada com isso” pode nos levar a becos sem saída, presos a um labirinto de solidão e angústia em que não teremos o fio de Ariadne para nos ajudar a procurar saídas e o encontro com o “monstro”/ Minotauro será inevitável....

Em tempo: O título do texto da semana remete à obra do filósofo Anthony Appiah (Na casa de meu pai), uma obra que me instiga pelas provocações! Estando junto a minha mãe, de férias, fiz questão de marcar o local do reencontro com meus leitores. Ah, os meus pais vivem (tive a sorte de ter mais de um...), dentro de mim!

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