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Giovani José da Silva

HISTÓRIAS DE ADMIRAR: OBRIGADO, MACAPÁ!

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          Assim como escrevi no último 25 de janeiro sobre São Paulo, capital, minha terra natal e que completou 466 anos de existência neste ano, hoje escrevo sobre a cidade que me abrigou há quase 7 anos, para onde fui por escolha e desejo de respirar novos ares e viver aventuras distintas daquelas de Mato Grosso do Sul! Macapá, capital do Amapá, completa hoje 262 anos e é a minha casa desde 2013, quando decidi fazer o concurso para Metodologia do Ensino de História na Universidade Federal do Amapá (Unifap). Situada no “meio do mundo”, a capital amapaense é a única capital estadual brasileira que não possui interligação por rodovia a outras capitais: só se chega por lá de barco/ navio ou avião. Além disso, é a única cortada pela linha imaginária do Equador e que se localiza às margens do majestoso rio Amazonas, distando mais de 1.700 quilômetros de Brasília. Seu nome – de origem Tupi (mbacabapa) – significa “lugar das bacabas”, frutos das bacabeiras (coqueiros), que dominavam a paisagem local no passado e ainda resistem no tempo presente. Originalmente terra de indígenas, colonizada posteriormente por europeus e africanos, Macapá exibe nos dias de hoje uma rica diversidade étnica e cultural que salta aos olhos de um “forasteiro” como eu. Por que a escolhi em 2013 para ser a minha casa, o meu abrigo? Por desejar vivenciar experiências, tanto do ponto de vista pessoal como profissional, que me acrescentassem, que me tornassem alguém melhor do que fui/ era. Algum arrependimento? Nenhum, posso lhes garantir, caros leitores. Não posso dizer, tampouco, que a cidade tenha me recebido de braços abertos, mas, também, não fui rejeitado completamente por suas gentes. O que acontece é que para alguém que nunca tinha vivido na região Norte do país, que conhecia a Amazônia somente por meio de filmes e de livros, tudo no começo era fascinante e intrigante. Cheio de preconceitos e ideias equivocadas, lá estava eu, tentando compreender o jeito “tucuju” de ser! E como foi difícil convencer alguns de meus colegas de trabalho e alunos que eu não estava “fugindo” de alguma situação complicada ou de alguém... Pelo contrário! Eu estava em busca de mim e posso lhes contar com certeza que me encontrei às margens do Amazonas, lugar onde algumas vezes, também, me perdi em meio à solidão de dias chuvosos e calorentos. Não me incomodo com o clima, nem com os mosquitos (chamados de “carapanãs” pelos locais) e, muito menos, com a “lonjura” em que me situo. O que me incomoda, ainda nos dias de hoje, são os olhares de reprovação e as palavras mal colocadas por alguns, como se estivessem a todo instante demonstrando seu incômodo com a presença de alguém “fora do lugar”, que está ali tirando a “vaga” de um “nativo”. Em Macapá tive oportunidades incríveis, dentro e fora da universidade, pude estudar Francês, escrever muito e... finalmente entrei no tão sonhado curso de Teatro. E foi do jeitinho que eu queria: uma licenciatura, que me tornará (mais uma vez!) professor, desta vez de Arte. Confesso que ainda não conheço Macapá como gostaria. Já morei próximo à Unifap e, atualmente, vivo no centro da cidade. A imensa periferia – salvo as escolas por onde já passei, acompanhando estágios de acadêmicos – é um grande mistério, com suas palafitas e “pontes” de madeira, construídas sobre as “ressacas” (termo regional para as chamadas bacias de acumulação de águas naturais e controle do microclima da cidade). As tradições advindas de comunidades negras e quilombolas (o Marabaixo, por exemplo) invadem a cidade com seus sons e cores, bem como a culinária local, que acrescenta os sabores da terra e da água a essa pura mistura. Assim defino Macapá: é a terra da mistura, da mescla, de um povo que ainda se sente inferiorizado muitas vezes pelo que vem de fora, mas que assume com orgulho seus vícios e suas virtudes. O ano de 2020 promete ser meu último vivido no meio do mundo. Da “terra das bacabas” levarei doces (e algumas amargas) lembranças e, também, a vontade de ter vivido mais amores e menos desafetos. De todo o experimentado até aqui (menos açaí, que para mim tem gosto de terra e não me apetece nem um pouco), para este “pescador de ilusões” que me tornei, posso dizer com certeza: VALEU A PENA! OBRIGADO, MACAPÁ!

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