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Manoel Afonso

De leve - Rio Doce: alerta ao Pantanal e cia

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Que fique bem claro para início de conversa: Não se pode levar em conta a postura da presidente Dilma ao anunciar a aplicação de multa máxima à empresa mineradora de Mariana. Apenas uma declaração emocional sem respaldo técnico e jurídico. 
 
É que neste país sem memória, as tragédias, a exemplo dos escândalos, são rapidamente esquecidas por razões diversas. No presente caso, a matança de Paris parece ter sensibilizado muito mais a opinião pública brasileira do que o rompimento da barragem de Mariana e as consequências no Rio Doce.  Só porque Paris é mais chic?
 
Mas aqui é oportuno lembrar de outras tragédias no mundo contra o meio ambiente. Em 1989 a petrolífera Exxon derramou 11 milhões de galões de óleo no mar do Alaska e os estragos foram imensos. Mas o Estado se fez presente de forma rápida e eficiente, com a empresa sendo condenada a pagar pesada multa compensatória que abalou inclusive seu patrimônio.
 
Em 2010 outro desastre ocorreu no Golfo do México, na plataforma da British Petroleum, com 4 milhões de barris contaminando as águas marinhas.  Nos dois casos, além das multas, a justiça sentenciou que as empresas teriam que cumprir um extenso programa de recuperação nas áreas atingidas. 
 
Mas não há como não ligar essa tragédia de Minas Gerais  aos riscos oferecidos pelas usinas de álcool e de açúcar de cana ao meio ambiente de nosso Estado. Será que elas efetivamente estão cumprindo com as normas para evitar vazamentos de produtos tóxicos? Será que a fiscalização tem sido eficiente e contínua?  Tenho mais dúvidas do que certezas. A mesma preocupação vale para a indústria do papel celulose, em expansão em nosso território. 
 
Se não bastasse esse dois exemplos, não se pode menosprezar os riscos que representam essas usinas hidrelétricas construídas em rios de porte menor. Quem garante que a longo prazo  não trarão prejuízos ao meio ambiente e ao bioma destas águas? Aliás, já se questiona as dificuldades dos peixes para superar as barreiras das usinas na busca das águas das cabeceiras ou nascentes para a desova anual. 
 
É bom que o Governo Estadual e os deputados aproveitem o episódio de Mariana para se evitar prejuízos ao nosso eco sistema. Afinal, o lucro financeiro dos investimentos empresariais  não pode ser mais importante do que a preservação  do meio ambiente. 
 
A natureza agradece. 
 
 
De leve...

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