Maria de Lourdes Medeiros Bruno
Publicado em 20/01/2020 às 03:23
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
“EU QUE DETESTO DOMINGO POR SER OCO”
“Agora é dia feito e de repente de novo domingo em erupção inopinada. Domingo é dia de ecos-quentes , secos, e em toda a parte zumbidos de abelhas e vespas, gritos de pássaros e o longínquo das marteladas compassadas-de onde vêm os ecos de domingo?” (Clarice Lispector.Água viva)
Remetendo à palavra “oco” que pode ser “vazio”, “vão”, “sem valor”, “sem importância” transmitindo assim a sensação do nada (Mini Aurélio/O dicionário da língua portuguesa/Aurélio Buarque de Holanda Ferreira)
Zumbidos que aniquilam nossos ouvidos diante da presença do domingo onde o silêncio grita e berra no som da inutilidade
Pergunta-se por que tanta inutilidade que pode deixar a alma vazia, por totais 24 horas?
Sem nada para fazer, brincando de passar o tempo?
E o tempo parado nos remete aos “ecos” dominicais do sem nada para pensar.
O que dói mais?
Maria de Lourdes Medeiros Bruno
LISPECTOR,Clarice.Água viva .Rio de Janeiro: editora. Artenova,1973.
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