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Maria de Lourdes Medeiros Bruno

E NOS DIAS...

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Nos dias de...

confinamento, isolamento, seja lá o que for, a melhor companhia é o livro ou a presença de um escritor, para se remeter ao mundo literário não tão nosso, mas às vezes só nosso, sem que percebamos o que nos cerca e nos cercará.

E neste ano de 2020 nada melhor do que Clarice Lispector, porque se fosse viva completaria 100 anos! E haja experiência a ser relatada, nos seus mínimos e múltiplos detalhes, nos textos que escreveu. Duas abordagens da obra “A Descoberta do Mundo” mostram, com certa clareza, a vida que hoje se instalou nos calendários nossos de cada dia!

A abordagem será feita explorando uma seleção de crônicas da referida escritora começando pela expressão contida do texto, cujo o título é “SIM” (pag.36) :“Avida sempre superexigiu de mim.”, mas sem antes não esquecer que foi lembrado por uma amiga, que Ela, Clarice sempre exigiu da vida.

Da ficção para a nossa realidade, hoje em 2020, lembrando que o referido texto foi escrito no ano de 1967, mas exatamente, em 21 de outubro. E hoje a vida exige muito de nós, pensantes e consumistas e um distanciamento obrigatório e incomum.

Somos e ao mesmo tempo não somos. Ditamos regras e elas nos impõem a um regime absoluto e único do estar em casa. Do não sair ou quase isso!

O preço da idade? Que se tem? Para preservar-se e preservar o próximo!

Exigência para se viver bem, ou quase isso!

E por que será?

A busca constante de um culpado ou culpada?

Nada disso, porque um exame de consciência não seria nada agradável, agora!

Bem, passamos para outro momento das palavras de Clarice Lispector quando se refere à “SAUDADE” (ano de 1968,página:144) sutil lembrança para o nosso momento, aqui um pequeno trecho: ...” Saudade é um pouco como fome”. “Só passa quando se come a presença” E cá, estamos nós, com fome, mas muita fome diante de um mundo tão avançado, mas tão avançado que nos aprisiona e consome. Não tem como! É a sobrevivência!

 

Maria de Lourdes Medeiros Bruno

 

CLARICE, LISPECTOR. A Descoberta do Mundo. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira. 1984.

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