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Raquel Anderson

Amanhece

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Apetece?
Sobe e desce
Arrefece...
Sol na cara, desperte
Calçada, viaduto
Sem salvo-conduto
Viver é constante luto
Não tem cama
Não tem grana
Excrescência na grama
Vida cigana...
Não vota
Não importa
Não há porta
Portanto, espera...
Uma migalha velha
O desalento é a janela
Um atropelamento previsível
Dignidade impossível
Desdém risível...
Tudo passa...
Passa cachorro
Segure o morro
Cuidado morador, mora a dor
Seguro de indigente
Que não tem parente
É o descaso, o que não o vê
O sensacionalismo do brazil na TV
Deu ruím pra mim e pra você
Pra gente que sente
Que tem dor no peito
E olha docemente
Conta com o prefeito
Numa nova eleição
Pra gente que teima
Por essa Nação.
Raquel Anderson

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