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Rev. Vivaldo Melo

A tragédia da família Finotto e as tragédias nossas de cada dia...

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Talvez não seja difícil para alguns explicar determinadas tragédias do cotidiano, principalmente quando as mesmas envolvem pessoas que professam uma fé oposta a de certos grupos estabelecidos. O evangelho da prosperidade, por exemplo, abraçado por um forte segmento do protestantismo não hesita em associar qualquer tragédia a pecados específicos. Assim, a bonita jovem que caiu de um carro alegórico, no carnaval de Belém, perdendo a vida, "teria sido punida porque estava num ambiente propício a ação das forças do mal ou estaria em pecado. Se tivesse num Retiro Espiritual, por exemplo, cultuando a Deus, estaria com vida", podem sugerir alguns raciocínios. Mas, a questão das tragédias nossas de cada dia é muito mais complexa. Certamente um cristão esclarecido acredita que vivemos num mundo caído. E uma de suas marcas, na concepção de alguns, é a possibilidade dos homens escolherem livremente suas ações. Também não é preciso usar a Bíblia para entender que realmente, em muitos casos, o homem colhe o que planta. Algumas tragédias modernas podem ser explicadas por esse ângulo. Finalmente não se discute entre os cristãos que existem forças espirituais ativas que interferem no cotidiano humano.

Muitas outras possibilidades são levantadas nos debates sobre o tema. E sempre fica a convicção de que, para algumas tragédias, no entanto, não temos uma resposta aparentemente convincente. Quando uma tragédia envolve pessoas justas só restaria ao cristão aquietar o coração e aceitar, pela fé, algumas coisas. Uma delas é lembrada por alguns estudiosos nos seguintes termos: Deus é a origem e o dono de tudo o que temos, assim Ele tem o direito de pegar o que lhe pertence. Outra argumentação clássica é a de que certos acontecimentos, por mais trágicos que sejam, estão relacionados com determinados propósitos maiores de Deus, que um dia ou mesmo na realidade do aqui e do agora serão entendidos. É certo também que as tragédias podem servir para aproximar mais os homens de Deus. Contudo, mesmo crendo nesses postulados, em alguns momentos ficamos atônitos. Pode aumentar o sofrimento a intervenção dos "amigos de Jó" da pós modernidade, com suas explicações prontas, quase sempre calcadas em argumentos que podem ser questionados. Talvez a resposta de Eliú, no mesmo livro de Jó, coloque um ponto final nas discussões que se estabelecem pelo menos no seio da Igreja: "Ao Todo Poderoso não podemos alcançar". Certamente essa deve ser a compreensão dos irmãos da Igreja Batista Imperial, em Campo Grande, diante da tragédia que vitimou a esposa e os três filhos de seu pastor, Henrique Finotto, no último domingo.

Um teólogo sabiamente observou, certa vez que, "quando não encontramos respostas para determinados dramas que acontecem aqui, a resposta só pode ser encontrada no céu". Parte de nosso espanto diante de determinadas tragédias deve-se a nossa finitude. Queremos respostas em situações que talvez não as encontraremos, pelo menos nesta vida. Daí a necessidade de fazer algo extremamente difícil: rogar a Deus que aquiete o nosso coração, aceitando que Ele é soberano. No excelente livro "Creia Sempre", Ray Pritchard cita alguns princípios essenciais para as horas em que as cordas se rompem na realidade humana. Sendo Deus sábio, nada na vida é em vão. Sendo amor, Ele nunca nos abandonará e sendo bom, Ele sabe o que é melhor para nós. Até a partida aparentemente prematura de algumas pessoas, como dos irmãos Priscila, Kamila e Kemuel, da família Finotto, deve ter uma explicação maior, mas que está apenas no coração de Deus, pois nós vemos apenas o hoje. Deus vê o amanhã!

O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Especialista em Ciências da Religião pela UMESP

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