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Rev. Vivaldo Melo

Batismo no Espírito Santo: uma resposta aos irmãos pentecostais

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Particularmente nunca gostei dos rótulos criados ao longo da história para designar a orientação dos cristãos evangélicos, que um dia foram apenas "protestantes". Mas, como é inevitável, faço parte de um grupo minoritário de cristãos, no Brasil, que os historiadores chamam de protestantes históricos e que os pentecostais ou neo-pentecostais chamam de tradicionais. Minha inserção no meio evangélico se deu exatamente a partir de uma denominação pentecostal, a Igreja do Evangelho Quadrangular. Posteriormente, me identifiquei com a maneira de pensar dos chamados "reformadores". Acabei fazendo teologia em Recife e Campinas, em instituições da Igreja Presbiteriana do Brasil. E desde então sirvo a Deus nesta denominação.

No contexto do acalorado debate que se dá entre os evangélicos sobre algumas questões teológicas, não poucas vezes tenho ouvido que os presbiterianos não têm o Espírito Santo. Alguém em Aquidauana - terra onde hoje estou - chegou ao ponto de dizer que "não cremos no Espírito Santo", o que é uma estupidez, por ignorar que João Calvino, um dos precursores do presbiterianismo é aceito pelos estudiosos como "o teólogo do Espírito Santo". David Cho, pastor da maior Igreja evangélica do mundo, na Coréia, disse num recente encontro que Calvino foi o homem que mais tratou com profundidade da doutrina do Espírito Santo. Pois bem, não bastasse a perpetuação desse julgamento, tenho percebido que alguns usam esse discurso, de forma exaustiva, para tentar puxar alguns fiéis para suas hostes. A essa prática, que demonstra uma tremenda falta de ética, chamamos de "pescar em aquário alheio". Mas, será que realmente os presbiterianos e muitos cristãos reformados não têm realmente o Espírito Santo, por que não foram batizados nEle?

Frederick Dale Bruner, lembra-nos que as características mais importantes do modo pentecostal de entender o batismo no Espírito Santo são: (1) que o evento é usualmente distinto da experiência do novo nascimento e subseqüente a ele; (2) que é evidenciado inicialmente pelo sinal de falar em outras línguas; e (3) que deve ser buscado com sinceridade, num processo que envolve oração, jejum e acima de tudo empenho pessoal por uma vida santificada. Pensemos nesses parâmetros tomando por referencia o texto bíblico do Pentecoste (Atos 2,1-4), fundamental na formatação da base exegética do pentecostalismo. Primeiramente o pentecoste é introduzido com um aviso histórico: "ao cumprir-se o dia de Pentecoste". Ou seja, não existe nenhuma indicação do cumprimento de alguma exigência espiritual ou de várias delas. Na seqüência o texto indica que "do céu" e "de repente" o dom aparece. Essas duas expressões dão ao Espírito Sua direção apropriada de origem e tira das mãos e dos corações dos homens a origem do dom. No final do versículo 2 lê-se que os discípulos estavam "assentados". Lucas, que em outros textos bíblicos sempre dá lugar especial a oração, poderia ter dito que eles estavam orando, ou ajoelhados, ou mesmo "buscando". Mas não o faz. Depois disto as línguas de fogo pousaram sobre "cada um deles" e "todos ficaram cheios do Espírito Santo". Importante perceber que não há nenhum registro em Atos de uma ou várias pessoas serem deixadas de lado quanto ao dom pleno do Espírito Santo devido ao não cumprimento de certas condições, como se ensina no pentecostalismo. Ou seja, o livro de Atos em nenhum trecho registra que quando o Espírito Santo vem o faz apenas parcialmente, aplicando a justificação, deixando para voltar na plenitude, na santificação ou no poder, num tempo posterior, quando a pessoa justificada estiver mais digna, vazia ou pura. Não há nenhum enchimento parcial do Espírito Santo em Atos.

A propósito da crítica maligna que alguns fazem de que os presbiterianos não têm o Espírito Santo algumas coisas precisam ser destacadas. Cremos que o Espírito é outorgado ao cristão por ocasião do encontro com Cristo. Não cremos naquilo que alguns chamam de "doutrina da segunda benção". No ato de aceitar pela graça, mediante a fé, a salvação, o cristão é selado pelo Espírito Santo, o que confirma a Sua presença. Obviamente cremos também que o cristão deve buscar a plenitude do Espírito ao longo de sua vida e que a evidencia maior da plenitude do Espírito é a vida e o comportamento transformados. Não cremos que o falar em línguas seja essa evidencia, afinal se trata de um dom. E sendo dom não é dado a todos. A propósito, cremos sim no dom de línguas, mas nos respaldamos na orientação de Paulo, quando escreve aos Coríntios. Cremos também que existem dons melhores para serem buscados. O principal deles, o amor, se realmente vivenciado pelos cristãos, anularia certos julgamentos que se baseiam num tipo de leitura que se faz dos textos clássicos sobre o tema. Os discordantes precisam ser respeitados!

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