dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Síntese de texto produzido pela Associação Evangélica Brasileira
Conseguir benefícios para a Igreja como a doação de terrenos para templos, ter linhas especiais de crédito bancário, obter concessões de rádios e TVs, ter tratamento especial perante a lei. Esses são apenas alguns tipos de barganha, "acertos", acordos e composições de interesse que costumam ocorrer nos bastidores em épocas de campanhas eleitorais, envolvendo também políticos e candidatos evangélicos.
Pensando nisto a AEVB - Associação Evangélica Brasileira, tem orientado os evangélicos brasileiros a não votarem nos candidatos que costumam ter esse tipo de comportamento. A entidade, que representa Igrejas de 32 denominações (Metodistas, Batistas, presbiterianas, Luteranas, Congregacionais, etc) em todo o país, publicou uma cartilha com os dez mandamentos do voto ético, objetivando orientar os mais de 37,8 milhões de eleitores evangélicos brasileiros (30% dos 126 milhões de eleitores, segundo o Vox Populi).
A cartilha não condena apenas o "jeitinho brasileiro" de conseguir benefícios, mas também a utilização do púlpito e dos espaços das Igrejas como "palanque" eleitoral. Segundo o Diretor Executivo da AEVB, Pr. Luiz Mattos, " o eleitor evangélico não pode ser constrangido a votar de acordo com o que diz o seu pastor, por exemplo. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão e não como profecia divina".
I. O voto é intransferível e inegociável.
II. O cristão não deve violar a sua consciência política.
III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e discernimento. Não devem, contudo, induzir ninguém a votar neste ou naquele candidato.
IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Melhor do que ninguém podem organizar debates multipartidários, nos quais todos devem ser ouvidos, sem preconceitos.
V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da Igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade.
VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Além disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidas com as causas da justiça e da verdade.
VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiu alguns benefícios para a Igreja.
VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas.
A AEVB chama a atenção para o perigo dos "boatos" sobre os candidatos, do tipo "o candidato tal é ateu" ou "o fulano não vai ajudar os evangélicos" ou ainda "o beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". Esses boatos visam geralmente induzir os votos dos eleitores.
IX. Sempre que o eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto" é compreensível que se dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenhas as qualificações para o cargo.
Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente do seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No âmbito político-partidário a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a Palavra de um cidadão.
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