dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Rev. Vivaldo S. Melo
No livro "cidade de Deus, cidade de satanás", o teólogo Robert Linthicun constrói uma teologia bíblica para os centros urbanos a partir de uma leitura particular das escrituras. Entre os seus argumentos defende que espíritos específicos são responsáveis por certas características de algumas cidades. Seguindo seu raciocínio, o cabarés de Chicago, o comercio ilegal de Hong-Kong, o homossexualismo de San Francisco e até as separações conjugais em Campo Grande, que caracterizam essas urbes, podem ter relação com os principados e potestades, forças que trabalham através das estruturas e sistemas de um contexto. Cada cidade, portanto, tem sua própria força espiritual, que invade e molda cada faceta da sua vida. A teia de relações neste universo espiritual, é bastante complexa. Se existem anjos bons, por exemplo, existem também aqueles que, sob a autoridade de satanás, exercem influencia demoníaca nas estruturas e pessoas. São geradores de situações caóticas.
Que espiritualidade interna predominaria em Aquidauana, a partir desses paradigmas? Se levarmos em conta as estatísticas, alguns diriam que estaríamos sob a autoridade de Deus. Nossa cidade teria, por exemplo, o maior contingente de evangélicos em Mato Grosso do Sul. Entretanto, o que temos visto? No âmbito político os poderes constituídos têm encontrado dificuldades em trabalhar um projeto comum. Se não estiver em curso um jogo de cena, comum em nossa cultura política, há uma crise relacional entre o executivo e o legislativo; na esfera religiosa, os cismas em igrejas locais tem se constituído em marcas distintivas de nossa historia . Mas o fato que mais poderia gerar um questionamento sobre a espiritualidade predominante em Aquidauana é a problemática da saúde. A crise no hospital da cidade, que se arrastou por alguns meses e os impressionantes índices da dengue não, teriam relação com a atuação de satanás e suas hostes? Lógico que jamais se cogitaria essa possibilidade em qualquer analise racional. Num momento da historia, porém, em que alguns campos da ciência já admitem a influencia do sobrenatural no cotidiano humano, a questão pode e deve ser considerada. Aliás, isto não é algo novo, fruto de algum modismo teológico-doutrinario. Na antiguidade judaica essa relação do sobrenatural com o natural, era matéria de fé. Ou seja, o judeu religioso sempre acreditou na existência de uma batalha permanente entre forças antagônicas, conduzidas por Deus ou por satanás. Na bíblia a luta entre o anjo-chefe Miguel e o anjo protetor do Reino da Pérsia, representando, respectivamente, o bem e o mal, podem sugerir que algumas explicações para determinadas eventos podem ser encontrados no campo religioso.
É certo, pois, orientar os cristãos a que busquem identificar as forças espirituais que atuam em suas cidades, como sugere Robert Linthicum? Fazendo-se isto, em Aquidauana predomina um domínio de Deus ou de satanás, considerando-se de forma honesta essas e outras realidades? Independentemente da resposta que se dê a esses questionamentos o certo é que Deus se preocupa com nossa cidade e a ama. A igreja certamente tem um papel importante no projeto de fazê-la um contexto de paz, justiça e fraternidade. Urge, pois, que a Igreja não ignore a possibilidade de que determinadas situações se estabelecem em nosso cotidiano porque satanás direciona sua ofensiva não apenas contra pessoas mas também contras os sistemas e estruturas.
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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