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Rev. Vivaldo Melo

Darwin x Deus

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xAs comemorações dos 200º anos de nascimento de Charles Darwin gerou ultimamente uma série de publicações, na mídia, enaltecendo os pontos de vistas daquele que é conhecido como o "herói da racionalidade". Com a sua teoria da evolução, Darwin tirou o homem do centro da criação divina, abrindo caminho para a ciência moderna. A partir dos pressupostos levantados pelo estudioso, muitos associam as premissas da criação, defendidas pelos cristãos, à superstição e ignorância. Tal postura, contudo, como lembra meu colega de pastorado Zwinglio Costa, no mínimo mostra que a intolerância e o fanatismo não vicejam apenas no campo da religião.

Expressões de paixão cega são comuns em todas as áreas, inclusive das ciências humanas. Uma premissa que pode ilustrar essa constatação é aquela que afirma que aquilo que não conhecemos, não existe. Obviamente entendemos o fato de que as ciências trabalham apenas com aquilo que racionalmente pode ser explicado. A razão é consagrada como base - absoluta, definitiva - de juízo. Daí, a convicção de muitos da não existência de Deus.

Lembra oportunamente o amigo que mencionei, que "a razão pode constatar a existência daquilo que esteja dentro dos seus limites. E, mesmo dentro destes limites, ignora aquilo que ainda não pôde constatar". Assim, "mais dificultoso seria comprovar a não existência, pois implicaria em um conhecimento exaustivo". A razão, portanto, é finita. O conhecimento humano também. Os dados atualmente disponíveis, e toda a experiência histórica, apóiam a tese de que há limites para a razão e para o conhecimento humano.

Pensemos numa das linhas de raciocínio principais do evolucionismo darwiniano: "Todo grupo de organismos descendem de um ancestral comum. Os homens e os macacos atuais, por exemplo, divergiram de um mesmo ancestral, há cerca de 4 milhões de anos. Todos os seres vivos, em ultima instancia, descendem de uma simples e primitiva forma de vida - a chamada "ameba original". Qual a resposta cristã para essa tese? Acreditar em uma ameba original é mais racional do que acreditar em um Deus criador de todas as coisas? O racionalista não pode fazer declarações de fé. Logo, "crer na existência de uma "ameba original", seria contraditório ao seu pressuposto básico", lembra Zwinglio.

Alguém disse que "a fé humana já se provou resistente a todos os argumentos da lógica". Os que crêem na criação de Deus não são suficientemente tolos para ignorar os limites da teoria da evolução, nem estão dispostos a mudar a sua declaração de fé para alinhar-se a uma obra que talvez não se preste tão bem a explicar a origem e o sentido da vida. Oremos para que a intolerância e o fanatismo que também existe entre aqueles que se apresentam como grandes sábios não resulte em algum tipo de perseguição aos que concebem a existência do mundo como obra de um Deus criador, especialmente nos ambientes onde a especulação e o debate fazem parte do dia a dia, como nas universidades, escolas, etc. Respeito é bom. E gostamos!

O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana

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