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Rev. Vivaldo Melo

Igreja: precisamos de uma nova reforma!

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Conta-nos um conhecido líder presbiteriano que há anos esteve em um encontro de liderança evangélica e ouviu de um preletor a afirmação de que a Reforma Protestante havia morrido. Historicamente passara. Essa declaração causou espanto e algumas reações apaixonadas do auditório.

Não quero entrar no mérito de comentar a importância da Reforma que cindiu o cristianismo histórico em duas vertentes, em 31 de outubro de 2007. Há farta literatura sobre o assunto e permanentes debates, de um e de outro lado. Pessoalmente julgo que o movimento foi importante, diante dos desvios impressionantes do cristianismo em termos de prática e fé, a partir de Constantino.

Acredito, contudo, que a maior contribuição da reforma, hoje, é levar os chamados protestantes a uma reflexão séria e honesta sobre a realidade da Igreja evangélica. Talvez por não desejar essa reflexão, muitos não desejam refletir sobre o fato histórico, vendo-o como algo que precisa ser esquecido. É o caso de um leitor anônimo que outro dia enviou-me um email deixando a entender que não deveria escrever sobre alguns temas, pois com isto não estaria atuando como um facilitador do evangelho.

A Igreja carece, hoje, de uma reforma, sim. E precisamos orar para que Deus levante homens realmente comprometidos com a pureza do evangelho e que tenham a coragem de denunciar a podridão estabelecida em muitos setores, e os desvios no ensino que ganham proporções impressionantes. Como exemplos são necessários, outro dia me vi estarrecido com pregação de Silas Malafaia, grande defensor da teologia da prosperidade, sobre "Dízimos". Aos berros o venerado pregador (tem admiradores até entre presbiterianos) observava que "o crente precisa dizimar com o propósito de receber sim". Seria hipocrisia pensar ao contrário, dizia, enquanto uma multidão o aplaudia e certamente outros milhares, à frente da TV. Nunca encontrei base para tal posicionamento, pois isto seria simplesmente aprovar a prática de se negociar com Deus. Pois bem, o Silas é hoje uma referencia quando se fala em evangélicos. "Porta voz da verdade", para muitos.

Pensemos em obra recente de Edir Macedo, na qual o conhecido e não menos venerado líder indica aos fiéis aquilo que em teologia chamamos de meios de salvação. Ele começa bem, singularizando a fé em Jesus Cristo, para depois citar a entrega dos dízimos, a adesão à Igreja Universal do Reino de Deus e outros. Não vi ninguém contestando, na mídia, as deturpações inseridas na obra. Se alguém o fez, certamente recebeu a crítica da maioria evangélica que sem perceber, acaba servindo aos interesses do próprio diabo, que morre de rir com determinadas coisas que acontecem no meio evangélico, como se fossem expressão da verdade.

A Igreja evangélica carece de uma reforma, sim, que exclua as práticas místicas, que ganham força a cada dia em nossa cultura, não tendo relação alguma com o evangelho de Cristo. Pelo contrário, muitas se originam de contextos que os próprios evangélicos condenam, tornando o discurso protestante dúbio, confuso e até ridículo. Penso em águas ungidas, uso de sal grosso, etc. E o que dizer das deturpações litúrgicas? Meu Deus... quão longe estamos dos referenciais bíblicos...

Sei que o crítico anônimo que mencionei deve estar horrorizado, lendo esse texto, pois na sua percepção um "facilitador do evangelho" tem que ignorar todas as aberrações que são feitas "em nome de Jesus", para que passemos para a sociedade a hipócrita visão de que temos uma unidade. Mas, para não causar mais polêmica vou parar por aqui, até porque estou sofrendo com um problema renal, nesses dias. Só espero que ninguém coloque um copo com água em cima do Rádio ou TV por minha cura, prática que Alziro Zahrur, da Legião da Boa Vontade, introduziu em nossa cultura religiosa. Ou atribuam esse mal físico à algum problema espiritual. A propósito essa visão de que crente não fica doente.... blá-blá-blá........

Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
Vivaldo_ms@hotmail.com

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