dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
"Como Deus me livrou de um câncer"
Quando penso na angústia que começou a tomar forma em meu íntimo em meados de 2005, sou grato a Deus pela decisão que dela resultou. Resolvi viajar de Porto Velho, Rondônia, onde residia, até a cidade de Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul, numa distancia de 2600 quilômetros. O objetivo era descansar um pouco das tarefas decorrentes do ministério pastoral. Hoje não tenho dúvidas que Deus estava trabalhando algo grandioso em minha vida. Há, porém, quem credite os acontecimentos que se seguiram, ao acaso. O importante, contudo, é que escapei da morte.
Eu já estava em Mato Grosso do Sul quando meu irmão, Valfrido Silva, convidou-me para irmos a Campo Grande. Lá fizemos vários contatos. Um deles com o Dr. Adalberto Siufi, conceituado oncologista, que estava tratando de um amigo nosso, Dr. Harrison de Figueiredo. A conversa já estava terminando quando Valfrido disse ao medico que eu tinha uma mancha, nas costas. Ele se lembrara das contínuas reclamações de minha esposa, Rosenir, de que eu não procurava informações sobre aquela anomalia. O médico pediu para que eu tirasse a camisa. Ele queria dar uma olhada na ferida que até então nunca me incomodara.
"Já era prá ter operado!" disse Adalberto, observando com sua vasta experiência tratar-se de um melanoma. Até aquele momento nunca ouvira aquela expressão. Por absoluta ignorância fiquei mais tranqüilo quando ele explicou que era um tipo de câncer de pele. Entendia, como muitos, tratar-se de um câncer não agressivo, tratável apenas com certos cuidados, especialmente com a não exposição ao sol.
Três dias depois, eu que viajara apenas para desestressar, era operado no Hospital do Câncer. Dois dias depois voltava para Porto Velho, não observando o período de convalescença recomendado. Na verdade, eu ainda não sabia da dimensão do problema.
Quando, já em casa, comecei a pesquisar sobre o assunto, finalmente compreendi que a cirurgia extirpara de meu corpo um tipo de câncer dos mais graves, por sua alta possibilidade de metástase. Na medida em que lia, num site médico, que a letalidade do câncer de pele melanoma é elevada, não conseguia esconder meu espanto. Eu estava vivendo uma fase maravilhosa em família, com o nascimento da filha Beatriz. A constatação, porém, de que estava numa situação de risco me deixava amedrontado. Não era medo da morte, que entendo como algo inevitável, mas da reação de Rosenir ao saber da luta que poderíamos ter pela frente.
No decorrer dos dias seguintes a apreensão aumentou, na medida em que se aproximava o dia de receber o resultado da biópsia. De acordo com a conversa que tivera com alguns médicos o prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom, se detectado nos estágios iniciais. Mas, eu sabia que aquela pinta escura de bordas irregulares em minha pele aparecera há tempo. Minha esposa sempre insistira para que eu procurasse tratamento. Eu simplesmente procrastinava.
Por fim, o resultado da biópsia saíra. Contudo, eu teria que viajar novamente a Campo Grande. O médico insistia em falar comigo. Desta vez o percurso já longo parecia interminável. Foram dois dias tensos de viagem. Uma tortura. Eu me lembro que cheguei a chorar, em dado momento, quando pensei na possibilidade de não estar presente em alguns momentos especiais da vida de minha filha.
Finalmente, acompanhado novamente de meu irmão, compareci diante do mesmo médico que me encaminhara para a cirurgia. Eu soava frio, na medida que esperava suas palavras. No íntimo rogava a Deus por uma boa notícia. Ele me tranqüilizou naquele momento, falando do sucesso da cirurgia. Mas, eram necessários alguns exames. Isto significava que teria que conviver por mais um tempo com aquela angústia. A grande pergunta era se havia metástase, pois neste caso o melanoma é incurável na maioria dos casos.
No segundo semestre de 2005, vários exames foram feitos. Eu estava curado. Um dado do diagnóstico, porém, me deixou atônito: se o tratamento demorasse um pouco mais, o quadro seria irreversível. Seja qual for a interpretação que se dê aquela bendita inquietação que me levou a fazer uma viagem com outro propósito, não tenho dúvidas de que Deus estava me movendo a caminhar na direção da cura, afinal eu não sabia que tinha um câncer. Todas as ações subseqüentes, portanto, não foram coincidência.
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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