dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Na última quinta feira muitas pessoas visitaram sepulturas e levaram flores aos mortos em nossos cemitérios. Outras também acenderam velas "pelas almas" de parentes e amigos já falecidos e fizeram orações. O Dia de Finados é marcado pelas lembranças daqueles que se foram e em alguns casos toma a forma de um dia de culto aos mortos. A data é ligada a tradição católica e foi inserida no calendário por iniciativa do abade de Cluny, que dirigia o maior mosteiro da Idade Média, quando este decretou que os monges sob sua jurisdição comemorassem o dia dos mortos no dia 2 de novembro. O cristianismo na época era uno e a incorporação desta prática obviamente não foi aceita por todos os líderes cristãos, especialmente pelos chamados pré-reformadores.
Os evangélicos não participam desta tradição, que envolve a intercessão pelos mortos. Entendem que não há nada que se possa fazer no pós morte para corrigir a rota do homem. Embora a questão da salvação seja trabalhada no projeto de Deus antes mesmo da fundação do mundo, conforme registra Paulo no 1º Capítulo da Carta aos Efésios, a questão do destino eterno do homem passa por sua resposta consciente à oferta de graça dada por Deus. Nenhum esforço humano altera esse rito já que o mesmo Paulo acentua, enfaticamente: "Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie" (Efésios 2, 8-9).
A perspectiva da morte nas tradições evangélica, católica e de outros grupos que se proclamam cristãos, tem elementos comuns. Todas, por exemplo, acentuam a brevidade da vida terrena e a possibilidade de sua continuidade num paraíso (o céu). Contudo, essas tradições não são uniformes. Assim como a arquitetura das Igrejas que, embora baseada num esquema geral comum, pode apresentar-se nos estilos românico, gótico, barroco, cada grupo dentro do cristianismo histórico constrói sua visão segundo seu próprio estilo. Tanto católicos como evangélicos entendem que a morte é um rito de passagem. Em II Coríntios 5 usa-se a figura do tabernáculo e de um edifício para ilustrar que o cristão, ao morrer, deixa uma morada transitória e vai para uma dimensão permanente, numa realidade marcada pela qualidade de vida e onde "as primeiras coisas terão passado" (expressão do Apocalipse para aludir as realidades terrenas). Os católicos, porém, defendem que algumas almas podem ir, no pós morte, para o purgatório, que é um lugar de purificação, algo que os evangélicos não aceitam. E se ambos acreditam na realidade do inferno, existem grupos à parte dessas tradições, como os adventistas, que a negam. Os adventistas crêem no céu como destino final dos justos, mas negam a existência do inferno. Na sua perspectiva os homens ímpios serão aniquilados. Também defendem que após a morte o homem experimenta um estado de dormência, que se estenderá até à ressurreição, ponto de vista que os evangélicos rechaçam, por entenderem que pelo menos de uma maneira parcial o cristão já estará com Cristo, após a morte. As palavras de Jesus ao ladrão arrependido, na cruz, apontam nesta direção.
Entre os poucos consensos nas questões da morte e pós morte nas várias tradições cristãs está a certeza de que a morte física do homem pode não significar o seu fim. Há um céu pela frente reservado para alguns. Por isto o temor da morte jamais deveria existir entre os confessam a fé em Jesus Cristo como Único e Suficiente Salvador e vivem suas vidas respaldadas em seus ensinamentos. Daí precisamos voltar ao texto de II Coríntios 5, nos dez primeiros versículos, onde as razões são claramente indicadas por Paulo. Os que "estão em Cristo" não devem temer a morte porque ela dá início a morada eterna nos céus e encerra a morada provisória na terra, coloca fim a todos os nossos sofrimentos e significa o resgate dos cristãos como propriedade de Deus.
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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