dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
"Deus está do lado dos oprimidos, e no caso do conflito árabe-israelense não há dúvida de que os palestinos árabes são os oprimidos"
Dr. Wesley Brown, evangélico batista
Nota-se entre grande parte dos evangélicos formadores de opinião uma forte tendência pró-judaísmo quando o conflito entre israelenses e palestinos é ventilado. Poucas se manifestam de forma tão coerente quanto o bispo da diocese anglicana de Recife, Robinson Cavalcanti. Em artigo publicado na revista Ultimato, sob título "o holocausto dos filhos de Ismael" ele lembra que essa tendência unilateral de grande parte dos evangélicos deve-se à figura do teólogo dispensacionalista inglês John Nelson Darby e a à disseminação da Bíblia comentada Scofield. Segundo a visão dispensacionalista os judeus têm um "direito divino" às terras palestinas, a qualquer preço. "Ora, isso é algo totalmente estranho ao pensamento evangélico do século XVI, que nem era premilenista nem dispensacionalista. Lutero e Calvino tomariam um susto com essas interpretações", lembra Robinson Cavalcante.
Mas, nem todos defendem o ponto de vista de John Nelson Darby. O Dr. Martin Wilson, do Gordon College, denuncia que os fins não justificam os meios, que o Israel de hoje nem é uma teocracia nem o Reino de Deus e que não pode ser julgado por um padrão de moralidade diferente das outras nações.
A propósito da crítica velada ao terrorismo palestino é oportuno lembrarmos que Israel foi construído à base do terrorismo judeu contra os ocupantes ingleses e as populações árabes. Segundo o historiador menonina canadense Dr. Franck Epp, quatro ex-primeiros ministros israelenses estiveram envolvidos pessoalmente em atividades guerrilheiras ou militares para a expulsão dos palestinos.
Finalmente, se alguém acha que foi sempre assim, ou seja, que os conflitos na região sempre existiram, precisa conhecer melhor a história. Por séculos mulçumanos, cristãos judeus e drusos viveram harmoniosamente naquela região. Com o retorno dos judeus que migraram para a Palestina em virtude do sionismo, o quadro começou a mudar.
Para os que defendem literalmente as ações israelenses no oriente médio basta lembrar que em 1948 cincoenta por cento da população de Jerusalém era cristã, bem como noventa por cento da população de Belém. Hoje não resta mais do que dez por cento. O que houve? Discriminados como cristãos e perseguidos como árabes, a maioria teve de deixar o país. Só em 1967, 100 mil cristãos árabes emigraram.
Com esses e outros dados que poderiam ser lembrados no contexto da discussão, não resta dúvida de que a postura cega pró Israel de muitos cristãos ocidentais, que ignora todos os lados da situação, acaba sendo um obstáculo à evangelização dos árabes, por um lado, e deixa em situação difícil os cristãos que vivem naquela região.
Finalmente, precisamos lembrar que os árabes também são filhos de Abraão, sob promessa da benção de Deus. Qual seria, então, a postura mais correta dos evangélicos? Defenderem a existência de dois Estados soberanos: Israel e Palestina!
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Email: pvhvivaldo@hotmail.com
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