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Rev. Vivaldo Melo

Pantaneta... a festa do capeta!

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A expressão "capeta" designa o diabo de uma forma mais "simpática", muito embora deste personagem não se deva esperar nada além de caos e desordem. Mas, culturalmente falando, o capeta é um agente de traquinagens e diabruras. Neste sentido a Pantaneta pode ser vista como a festa do capeta. O que mais se vê, ao longo de sua realização, são diabruras as mais variadas, intrumentalizadas pelos homens, que burlam as leis mais elementares de convivência pacífica. São dias em que muitos dos chamados "foliões" liberam os instintos mais animalescos do ser humano. Leis de transito ignoradas, xingamentos e cantadas, são algumas das práticas mais comuns. Quem arrisca contestar, pode experimentar a violência como instrumento de retaliação. Foi o que aconteceu com um jovem de conhecida família anastaciana, que tentou reagir a um agravo contra sua namorada. Apanhou tanto que teve que submeter-se a uma cirurgia reparadora no rosto. A lascívia também rola solto ao longo do evento, reeditando os dias de Sodoma e Gomorra. Em síntese, não faltam elementos típicos da cultura luceferiana, ou seja, do capeta, durante o evento que tem o "crédito" de projetar o nome de Aquidauana muito além de seus limites.

Mas, não culpemos apenas o capeta pelos exageros comuns verificados ao longo do evento. Aliás, a conhecida história que pinta o diabo chorando, na entrada de uma cidade, por creditarem a ele todos os males da humanidade tem uma mentira e uma verdade fundamentais. Obviamente não é verdade que o diabo lamente esse crédito. Primeiro, porque ele não seria diabo. Segundo, porque ele gosta de ser lembrado. Dá ibope. Projeta seu nome. Mas, é verdade que o diabo não é o único agente do mal. A Bíblia acentua que existem três grandes inimigos do ideal de um viver santo e agradável a Deus. São eles o mundo, como o conjunto de idéias e valores que se opõem ao projeto divino; a carne, como o princípio pecaminoso que opera em cada homem e, obviamente, o diabo. Assim, os vandalismos praticados por muitos ao longo da Pantaneta resultam de uma série de fatores, e não apenas da ação direta das hostes a serviço do diabo na vida dos foliões, induzindo-os a liberação geral de seus desejos mais primitivos. Podemos enumerar como elementos determinantes para a bagunça sem limites operacionalizada por alguns o sistema distorcido de valores da sociedade alienada de Deus, que confere notoriedade a vilões, machões e outras figuras; a ausência de normais mais rígidas em relação ao uso dos espaços físicos da cidade nos interregnos entre uma folia e outra; e a ausência de punições mais severas aos infratores, que quase sempre pagam uma fiança e vão embora, etc. Neste ultimo caso, já que a festa é do capeta, uma sugestão interessante seria as autoridades transformarem o Ginásio de Esportes num espaço para a realização de uma micareta paralela, essa mais declaradamente do capeta. Todos os infratores seriam colocados naquele local e ali ficariam até o término da Pantaneta, embalados pela música de alguma banda infernal, sem direito a jatos de água refrescante e observados de perto por uma equipe da Rotai.

Exageros à parte, a grande verdade é que a Pantaneta é a festa do capeta, como qualquer evento carnavalesco, porque é uma celebração que inclui todos os elementos de uma festa pagã. Impossível encontrar qualquer sinal da presença de Deus no meio da folia, a não ser a sua misericórdia. Os males poderiam ser muito maiores, não fosse a manifestação da Sua graça comum de forma abundante, preservando muitos das ações radicais orquestradas pelo capeta e seus demônios, ao longo dos dias de Pantaneta. A presença de homens justos na sociedade aquidauanense certamente impede que os estragos não sejam maiores, como nos tempos já aludidos, em que a ausência destes produziu a manifestação da ira de Deus sobre duas cidades, destruindo-as. Os exagerados pantaneteiros que zombam dos cidadãos pacíficos que arriscam andar pelas ruas nos dias de folia, criando-lhes inúmeras dificuldades; que agridem verbalmente gente de bem; que mexem com mulheres decentes e aprontam, em fim, outras diabruras, não imaginam que talvez devam a esses a própria integridade de suas vidas, pois se o capeta gosta de brincar, com Deus não se brinca!

O autor é pastor da Igreja
Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião

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