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Rev. Vivaldo Melo

Recado aos linguarudos e outros...

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Um teólogo certa vez disse que "talvez a pessoa mais perigosa dentro da igreja - e em qualquer lugar - é aquela que vai passando uma fofoca adiante, que se envolve constantemente com conversas não edificantes e que mesmo assim acredita que não fez nada de mal". Na verdade, todos os chamados pecados da língua são perigosos, segundo a Bíblia. Tiago em sua Carta pastoral define a língua como "mundo de iniqüidade e amostra do inferno na terra".

Toda língua incontida, desgovernada, é perigosa, segundo as Escrituras. Por língua incontida devemos entender não apenas a língua não controlada, mas toda língua não santificada, solta, que fala o que bem entende. Alguns estudiosos quando se deparam com as fortes descrições de Tiago sobre a língua, acabam concluindo que a língua incontida é "o pior de todos os pecados da carne". No Velho Testamento o homem que temia a Deus era orientado a "não andar" com alguém que "falasse pelos cotovelos", segundo expressão de nossa cultura (Lv. 19,16).

Uma língua incontida, descontrolada é perigosa, primeiramente, porque nega tudo o que é espiritual. Em outras palavras, a religiosidade de um homem é totalmente inútil aos olhos de Deus se a sua língua é usada para falar o que não deve, espalhar fofocas, externar maledicências, etc. Não é isto que nos ensina Tiago? "Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, a sua religião é vã". Neste livro bíblico o autor está falando à pessoas que freqüentavam a Igreja. Pessoas certamente ativas, pois eram lideradas por Tiago, que exortava constantemente seus liderados a serem praticantes de boas obras. Assim, de nada adiantava o serviço que desempenhavam, como cristãos, se a língua não era usada para outro fim a não ser a edificação.

A língua descontrolada também é perigosa porque reflete o que está dentro do coração do homem.O texto de Mateus 12,34 nos mostra Jesus Cristo chamando de "raça de víboras" alguns cristãos nominais, em seu tempo, que em algumas realidades se apresentavam como boas pessoas, mas, no fundo, eram más. Com isto fica evidente que os linguarudos e outros que fazem mal uso da língua têm lá suas recaídas para o bem. Se apresentam em muitos momentos como pessoas boas. Porém, Deus sabe que são víboras. Na surdina usam a língua de forma inadequada. Eram os sóciopatas da época. Ou seja, pessoas que nos encontros sociais mostravam ser uma coisa, mas lá no fundo eram doentes.

Outro perigo da língua incontida, desgovernada, é o seu poder de destruição. Em Tiago 3 temos algumas comparações. Basta-nos a lembrança de uma pequena fagulha (faísca), que pode colocar em brasas uma grande selva. Da mesma forma, uma "fofoquinha" carregada de maldade, pode gerar danos irreparáveis em todos os contextos de interação humana (lar, trabalho, escola, Igreja, etc).

Mas, o indicativo maior de que aqueles que tem a língua incontida correm sérios riscos é mencionada em outro texto dos evangelhos. Em Mateus 12, 36-37, Jesus Cristo observa que "toda palavra frívola que os homens proferirem, dela darão conta no dia do juízo". Daí a estupidez de quem faz do mal uso da língua na forma de palavras vãs, palavras torpes, chocarrices, julgamento, etc., pois terá que prestar contas no dia do juízo final. Ou seja, nossas palavras simplesmente não caem no chão e morrem. Não se perdem no ar. Não se dissolvem em nada. Elas permanecem vivas. Cada palavra que proferimos está escrita na eternidade. E nós as ouviremos sendo repetidas a nós, uma a uma, no fim de nossa história. E depois de ouvi-las todas, Jesus certamente dirá aos que fizeram da língua desgovernada sua marca distintiva: "afastai-vos de mim". Se esse destino é trágico, o que devemos fazer para controlarmos nossa língua de forma que seja usada apenas para edificação? Tiago 3,8 diz que o homem não pode dominar a sua língua. Mas, Mateus 19, 26 nos lembra que tudo que é impossível ao homem, é possível para Deus. Assim, como o profeta Isaías, devemos constantemente confessar que temos lábios impuros. Quando fez isto, Deus tocou em seus lábios e ele ganhou condições de usar a sua língua para o bem. Miremo-nos neste exemplo!

O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
Vivaldo_ms@hotmail.com

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