dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
No tempo das atrocidades praticadas por Hitler, um grupo de cristãos da Alemanha não aderiu as idéias nazistas. Tinham a frente Dietrich Bonhoeffer e formavam a chamada Igreja Confessante. Todos foram mortos. Entre as obras literárias marcantes desta época encontra-se o livro "Tentação", que realça os dois níveis maiores de tentação do homem, da carne e do espírito. O texto destaca que "nesta vida não estamos seguros, em nenhum momento, da tentação e da queda". Por isto não deveríamos nos ensoberbecer diante do tropeço e da queda de alguém. Antes, importa que estejamos prevenidos, para não cairmos. "Ninguém se julgue tão seguro, nem que o seja por um instante, a ponto de se considerar livre da tentação", enfatiza o texto de Dietrich.
A grande hipocrisia no meio cristão é a punição comum apenas aos que caem nas tentações da área da sexualidade. Com isto em vista a obra em menção trabalha os referenciais do texto de Lucas 4, de 1 a 13, onde Jesus Cristo é tentado, no deserto, pelo próprio diabo. Vamos restringir nossa análise apenas às tentações oportunizadas, naquela confrontação, no nível da carne. Ali Jesus foi tentado, primeiramente, na área da necessidade. Sabendo que o filho de Deus passara 40 dias em jejum, o diabo propõe a transformação de pedras em pães como um sinal referendando sua messianidade. Como homem, Jesus certamente estava faminto e a proposta foi tentadora. O grande paralelo é que todos nós temos necessidades. Tem gente, em nossa realidade, necessitando literalmente de pão. Outros de abrigo, emprego, amor, companhia, sentido de vida, etc. O diabo, astuto como é, oportuniza situações nada dignas e decentes, para que essas necessidades sejam satisfeitas, levando as pessoas a não verem problema em se prostituir, roubar, mentir, matar ou lançarem mão de outros expedientes errados, para obterem o que precisam. Os fins justificam os meios.
Uma segunda forte tentação da carne é o desejo de poder. O homem é fascinado pelo poder, em todos os contextos (até na Igreja). A maioria faz qualquer coisa para comandar, dirigir, "ser cabeça", esquecendo-se que, do ponto de vista de Deus, isto deve obedecer certos padrões, principalmente éticos. Sabendo desta tendência, o diabo tentou Jesus Cristo, sugerindo que ele confirmasse seu poder, em benefício próprio. "Se és filho de Deus... manda...". O poder pode corromper, em quaisquer esferas. A Bíblia fornece-nos vários exemplos. Salomão, no início de seu reinado, com humildade pediu sabedoria a Deus, que o fez. Contudo, o poder o corrompeu. Mas, o sábio rei teve a dignidade, no final da vida, de confessar em Eclesiastes 2, que o exercício da tirania da autoridade não o levou a nada e que isto foi pura vaidade.
Há uma terceira área de tentação da carne que pode derrubar o homem. O diabo no seu confronto com Jesus também apelou para o prazer. Diz o texto paralelo de Mateus 4 que o diabo levou-o a um alto monte. Mostrou-lhe a glória, o esplendor, o luxo, o prazer das coisas terrenas e falou: "Tudo isto te darei, se prostrado me adorares!". Muitos tem se prostrado aos pés do maligno diante das ofertas de seu reino, especialmente na forma de dinheiro, bebedice e sexo. Na Bíblia também não faltam exemplos. Sansão era o homem mais forte da face da terra, em seu tempo. Tão forte que foi capaz de enfrentar, sozinho, o exército filisteu. Seduzido pelo prazer, acabou caindo, tornando-se humilhação para Israel. Davi, "o homem segundo o coração de Deus", também caiu ao ser tentado por um prazer. Não quero dizer com isto que não devemos usufruir de certos prazeres. O sexo, por exemplo, dentro dos parâmetros estabelecidos por Deus há de ser sempre uma benção. O problema está nos excessos. Por isto Paulo observou que "todas as coisas são lícitas, mas nem todas conveem". Para não cairmos nas tentações da carne, ultrapassando certos limites, precisamos vigiar (ficar atento), orar, fugir e resistir aos assédios do diabo. Como resisti-lo? Tendo uma vida revestida dos valores do Reino de Deus e atacando-o (com a Palavra de Deus e não meramente usando jargões como "sai capeta" ou "ta amarrado").
O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
vivaldo_ms@hotmail.com
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