Ruben Figueiró de Oliveira
Ruben Figueiró de Oliveira*.
Como muitos, também prestei grande atenção na leitura da entrevista concedida pelo senador Delcídio Amaral à equipe editorial do importante Correio do Estado, edição dominical de 25 de fevereiro último. Dela conclui que sua excelência tem uma rotunda bagagem técnica em áreas especificas, como a da energia em todos seus múltiplos enfoques, e já um suficiente malabarismo de mineirices para contornar, como o fez, à algumas das perguntas capciosas, inteligentes lançadas pelos seus interlocutores, como dardos ferinos para comprometê-lo. Demonstrou, assim, o senador um político experimentado para a gestão da coisa pública e uma habilidade razoável no trato das espinhosas transações partidárias.
De Alexandre, o grande, que provocado por Górdio, rei da Frigia, para desatar o nó que firmava a lança à canga de seu carro, e, se o conseguisse, dominaria toda a Ásia; das opções que tinha, sua inteligência fê-lo cortar o nó garantindo-lhe o prêmio. Diferentemente, o senador Delcidio permanece na atroz duvida hamletiana de ser ou não petista, como e quando cortar o nó que o prende no partido. Isto poderá, com toda a bagagem que tem, levá-lo ao ostracismo político no porvir eleitoral. Sua euforia demonstrada na entrevista diz de quão distante está dos interesses mediatos da cúpula regional de seu partido, aliás ressaltados na própria entrevista pelas sibilinas ressalvas ao comportamento daquela na última campanha eleitoral.
Sabem sua excelência, os militantes históricos do PT regional e todos os que, a distancia, assistem ou ouvem o que acontece nas festivas pescarias da Estrela Vermelha, que não há coincidência programática e mesmo pragmática entre ele e seus "supostos" correligionários. Aí está o nó górdio que o senador Delcidio jamais desatará, se continuar na insistência de permanecer na senda partidária atual.
Como seu cooestaduano, louvei e aplaudi com entusiasmo sua brava atuação como presidente da CPMI que desnudou para a nação os mensaleiros do Congresso. Celebro sua competência técnica, os abalizados conhecimentos sobre a nossa realidade econômica e social, qualidades que podem no futuro propiciar-lhe oportunidades maiores para servir seu estado natal - o nosso Mato Grosso do Sul. Não creio, porém, que a canoa que escolheu para navegar nas traiçoeiras águas da política, dar-lhe-á certeza de que não está furada...
Se o senador Delcídio tem a agudeza política para bem enxergar o seu futuro - sua entrevista ao Correio do Estado abre perspectivas para tanto - caia fora do PT enquanto o tempo eleitoral permite. Lá poucos o querem, ou melhor nenhum, pois sua cor ideológica não é deles.
*Foi Deputado Estadual, Federal, Constituinte de 1988, Secretário de Estado e Conselheiro do Tribunal de Contas. É Senador Suplente.
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