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Sargento Wallas da Silva Freitas

'O Pantaneiro' sempre presente na história regional

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Por: Sargento Wallas da Silva Freitas
 
No dia 30 de novembro de 1991, o Jornal ?O PANTANEIRO? registrava, em sua edição semanal, que na manhã do dia 24 daquele mês aconteceu uma solenidade no pátio da Fazenda Tabapuan, do ilustre Dr Fragelli, com a inauguração de um monumento em homenagem aos heróis da célebre ?Retirada da Laguna?, pois o monumento sinaliza a área do ponto final, em 11 de junho de 1867, desta dramática ação militar no contexto da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870), pouco conhecida até mesmo pelos moradores de Aquidauana e Anastácio.
 
Entre as autoridades presentes àquela solenidade estavam: o Exmo. Senador José Manoel Fontanilhas Fragelli, que cedeu o local para construção do monumento, Dr. Fernando Luiz Alves Ribeiro, prefeito de Aquidauana, Dr. Joni Vieira Coutinho, descendente da família Canuto, Sr. Assunção Santu Cabral de Arruda, prefeito de Anastácio, e Roney Bento Alves Ribeiro, descendente do poconeano Antônio João Ribeiro (herói da Colônia de Dourados).
 
Mas o que foi a Guerra da Tríplice Aliança? E o que significa o ?Porto Canuto? para aquidauanenses e anastacianos?
 
A visão da ?Guerra do Paraguai? hoje denominada acertadamente de ?Guerra da Tríplice Aliança?, cujas discussões acerca das ?motivações? do conflito serviram e servem de calorosos debates entre estudiosos, atualmente, é analisada utilizando-se de novos conceitos, graças às obras de Francisco Doratioto, professor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de Maldita Guerra (Cia. das Letras) e de outros historiadores - como Ricardo Salles, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), autor de Guerra do Paraguai: Escravidão e Cidadania na Formação do Exército, e do professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Alfredo Menezes, que escreveu Guerra do Paraguai - Como Construímos o Conflito. Eles ajudaram a mudar a visão sobre a conflagração no Brasil, até então fortemente influenciada pelos livros "A Guerra do Paraguai ? Grande Negócio!? de 1968, do escritor Leon Pomer ? e a Guerra do Paraguai: o Genocídio Americano, escrito pelo jornalista Júlio José Chiavenato, lançado em 1979, e do anacrônico documentário  ?Guerra do Brasil ? Toda a Verdade Sobre a Guerra do Paraguay? ? de Silvio Bach, 1987.
 
Para nós aquidauanenses e anastacianos que por muitas vezes desconhecemos a História Regional, pois até na UFMS/CPAq foi desativada a cadeira da matéria, e nos concursos do estado de mato Grosso do Sul não se cobra o conhecimento de História,  trata-se de assunto por demais afastado de nosso cotidiano, mas não é. Porto Canuto, cujo monumento em ?Arenito de Aquidauana?, com sua cor avermelhada, representa o sangue derramado e a ?Missão Cumprida? por nossos antepassados para a configuração das fronteiras brasileiras. Mesmo que esse assunto pareça fora de moda, devido ao anunciado fim do chamado ?Estado Nação?, de territórios sem fronteiras, da era da globalização, nossa importância geopolítica no contexto mundial, entre outras razões, se dá por nossa extensão territorial.
 
Segundo a tese do Professor Claúdio Robba, em conversas no ano de 2008/2009 com o então Coronel Abílio, comandante do 9º BE Cmb, e com o Sargento Wallas, historiador, as anotações da exata localização do ?Porto Canuto? foram aceitas, em 1991, pelo Tenente Coronel Kummel, comandante do 9º BE Cmb, com suporte no trabalho do Professor Dr Gilson Rodolfo Martins da UFMS, baseados nas anotações do Marechal Rondon, militar e humanista que palmilhou nossa região, pela trilha dos soldados da ?Força Expedicionária de Mato Grosso?, ou ainda e nas obras de Hildebrando Capestrini e Acyr Vaz Guimarães.
 
O professor Claúdio Robba, ilustre estúdios  e autor de livros sobre a história regional, discorda do local onde foi erigido o monumento aos ?Heróis da Retirada da Laguna?, sua discordância está baseada na obra de Visconde da Taunay. Essa salutar discussão histórica é importante numa cidade onde existe cursos superiores de graduação em História e Geografia, além do 9º Batalhão de Engenharia de Combate, tradicional unidade militar e incentivadora da manutenção da memória histórica de nossa região.
 
Ao visitarmos o local onde se considera ser o local do término do célebre final da Retirada da Laguna, na ?fazenda Tabapuan?,  ou ao se discutir, onde é a localização exata do ?Porto Canuto?, rememoramos, nomes e significados, e prestamos  justa homenagem aos brasileiros que tombaram naquela operação de guerra, pois naquele distante 11 de junho de 1867, o Major José Tomás Gonçalves, comandante dos bravos da Força Expedicionária de Mato Grosso, após indizíveis vicissitudes, chegou com sua tropa em ?Porto Canuto?, no hoje, próspero município de Anastácio, com apenas 700 homens, dos que no ano de 1865, partiram de São Paulo, atravessaram Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, e que tinham sido cerca 2600 homens, em abril de 1866, quando partiram de Coxim em direção a Miranda, além de cerca de 200 mulheres, que segundo estimativas acompanhavam a coluna. E após o insucesso da invasão da terra guarani, por absoluta falta de suprimentos, acoçados pelo cólera, sem cavalaria, com a perda de quase mil e novecentas vidas brasileiras incluídas as dos comandantes Coronel José Fonseca Galvão, e dos Tenentes-Coronéis Carlos Morais Camisão e Juvêncio Manuel Cabral Meneses e do Guia José Francisco Lopes.
 
Depois de Porto Canuto, às margens do rio Aquidauana, a Força Expedicionária de Mato Grosso seguiu para Cuiabá, completando, como diz Acyr Vaz Guimarães ?seiscentas léguas a pé?, e de Cuiabá serão, em sua maioria, incorporados à Força Terrestre do Império brasileiro em campanha no Paraguai até o final da Guerra em 1870.
 
A pena de  Alfredo d`Escragnolle Taunay , autor da obra ?A Retirada da Laguna?, eternizou em síntese admirável aquela enorme epopeia, cuja a última frase está estampada em bronze fixada no monumento de ?Porto Canuto?: ?SOLDADOS! 'LEIA-SE: BRASILEIROS',  HONRA À VOSSA CONSTÂNCIA, QUE CONSERVOU AO IMPÉRIO OS NOSSOS CANHÕES E AS NOSSAS BANDEIRAS?.

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