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Petrobras avança na venda da UFN3 e Governo comemora previsão de retomada das obras

A estatal anunciou o início das negociações, em regime de Concessão de Exclusividade

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A Petrobras avançou no processo de venda da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), em Três Lagoas. Em comunicado de Fato Relevante divulgado nesta quarta-feira (9), a estatal anunciou o início das negociações, em regime de Concessão de Exclusividade, com a empresa Acron, da Rússia, por um período de 90 dias, referente ao processo de alienação integral de sua participação acionária na UFN3.

No comunicado, a Petrobras informa que a Acron é uma empresa Russa com foco na produção e comercialização de fertilizantes, com vendas em mais de 60 países. Em 2017, o volume de vendas atingiu mais de 7,3 milhões de toneladas, com receitas consolidadas de US$ 1,6 bilhão e EBITDA de US$ 511 milhões de acordo com o International Financial Reporting Standards (IFRS). A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres.

A notícia foi comemorada pelo Governo do Estado. Na avaliação do secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), o anúncio de desinvestimentos no Setor de Fertilizantes feito pela Petrobras é fundamental para o desenvolvimento econômico de Mato Groso do Sul e estratégico para o Brasil, pois oferece condições de o País fazer uma substituição em um importante item das importações.

“O mercado da UFN3 é o agronegócio, setor da economia brasileira que tem demonstrado o maior crescimento nos últimos anos. Além disso, a fábrica está localizada no Centro-Oeste, próxima aos mercados consumidores. É o agronegócio que tem a necessidade dessas matérias primas. Essa junção de fatores torna esse empreendimento tão importante para a economia sul-mato-grossense”, comentou.

Sob o ponto de vista do desenvolvimento industrial, o titular da Semagro lembra que a UFN3 “é uma planta fundamental a ser retomada, pois caracteriza uma diversificação da base econômica. Temos ainda, ao lado da fábrica, um distrito industrial que já foi constituído pela prefeitura de Três Lagoas, preparado para atrair misturadoras de fertilizantes, indústrias que precisam dessa produção de ureia nitrogenada e CO2 como matéria prima. Nossa ideia é conseguir vender não somente ureia para as empresas já instaladas, mas também que possamos atrair próximo da UFN3 um núcleo específico de fábricas de fertilizantes e misturadoras”.

Fornecimento de Gás

O Governo do Estado também tem acompanhado as negociações para o fornecimento de gás natural à indústria de fertilizantes. No edital de venda, a Petrobras esclarece que as fábricas de Três Lagoas e Araucária serão vendidas juntas e o comprador também terá que se responsabilizar pela compra de gás natural para abastecer a UFN3, que consome 2,2 milhões de metros cúbicos por dia.

Em fevereiro, interessados na fábrica da Petrobras estiveram na Bolívia para negociar diretamente sobre o fornecimento de gás natural. Na época, ficou claro que o mercado brasileiro de fertilizantes demanda mais do que suficiente para absorver a produção da UFN3, da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa) e de Bulo Bulo (Bolívia).

“Para Mato Grosso do Sul, a UFN3 é fundamental devido ao gás natural, lembrando que toda a importação do gás boliviano ocorre aqui pelo Estado. Se a Acron fechar efetivamente a compra, ela terá de consumir 2,2 milhões de metros cúbicos. O grupo russo já está procurando uma contratação direta com a Bolívia para aquisição. A fábrica não funciona sem o gás natural. Isso beneficia o Estado em termos de incremento de arrecadação, além dos empregos diretos a serem gerados e ativação da economia”, finalizou.

As obras da fábrica em Três Lagoas começaram em 2011 e foram paralisadas em dezembro de 2014, com 81% concluídas, quando a estatal rescindiu contrato com o consórcio responsável pela construção alegando não cumprimento do contrato. Assim que concluída, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas/dia de ureia, 2.200 toneladas/dia de amônia e 290 toneladas/dia de gás carbônico

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