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Educação

Em Aquidauana, debate sobre segurança nas escolas destaca a importância da família na vida do filho

A escola não pode ser sobrecarregada para fazer o que é dever da família

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Os recentes debates sobre os programas de segurança nas escolas do Brasil, chamou também a atenção para uma situação que vem se demonstrado um tanto quanto presente no ambiente educacional, que é a ausência de algumas famílias na construção de seus filhos, aliados à escola. Pais e responsáveis, parecem terceirizar suas responsabilidades, deixando isso a cargo da escola. O que parece, é que, existe outro quadro que precisa ser tratado e que não é de polícia. É caso de família, escola e sociedade.

 
Os pais precisam estar mais atentos ao que seu filho “consome” na ‘internet’ e inclusive o que ele costuma levar na mochila quando vai para a escola. Essa reflexão foi levantada durante um amplo debate entre a prefeitura de Aquidauana, e seus segmentos, que contou com a participação de Delgado de Polícia, Juiz, professores, diretores de escola, Comandante da PM, vereadores entre outros. O encontro teve como pauta a segurança nas escolas, e a busca de medidas e providências, contra inclusive, aos boatos espalhados por WhatsApp, que levam preocupação a toda a comunidade escolar e autoridades.


“O momento a gente tem que ficar muito apreensivo. Temos que ter muito equilíbrio, muito cuidado, porque graças a Deus a nossa cidade nunca teve um ato de terrorismo, nunca teve um ato de violência nas escolas. Mas temos que ficar atentos. Tivemos alguns alinhamentos, as autoridades civis e militares se colocaram a disposição e que vai ser prioridade as escolas. Estamos colocando para a direção das escolas, o fechamento dos portões para que a gente tenha um controle maior das entradas. Cuidar do nosso maior patrimônio que são as nossas crianças, é a nossa obrigação’’, explica o Prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro.

 

Ao ser convidada para apresentar sua colocação sobre o assunto, a Juíza da cidade, Dra. Kelly Gaspar Duarte Neves, despertou a atenção de todos ao questionar o excesso de policiamento nas escolas e argumentou que elas precisam ser um espaço de “janelas abertas”.  


“As crianças, os jovens, precisam ser observados e a partir daí, procurar os pais, as famílias para que juntos possam cuidar desse jovem”, destaca a Juíza.  

 

 Juíza Kelly Gaspar Duarte Neves - Foto: Ronald Regis


A ausência de alguns pais no acompanhamento da educação e na formação do jovem, da criança, no seio familiar, foi abordada nesse encontro. O que esses casos de violência podem trazer, além da gravidade de um fato policial, é alertar que pais e responsáveis precisam estar atentos e se aproximarem mais de seus filhos, orientando e conduzindo na moral e na responsabilidade. Como esclarece o prefeito Odilon Ribeiro.


“Eu quero alertar as famílias. Eu sou pai também, tenho uma única filha que frequenta escola também, e dizer pra você como nós estamos educando nossos filhos. A educação não pode terceirizar. A escola é o pedagógico, educacional, pedagógico. Mas a moral, a educação dentro de casa, ela é fundamental. Colocar limite. Você tem, por exemplo, fiscalizado a mochila do seu filho, você tem olhado o celular do seu filho. Isso é muito importante.  Terceirizar a educação do seu filho, não é o coreto. Pai e mãe, avós tios, têm que ser presentes. A educação somos todos nós juntos. Só se faz uma sociedade bonita e organizada quando todos cumprem com sua obrigação. É fundamental que você pai, vistorie a mochila do seu filho, vistoria o celular, é menor de idade, vistoria,” alerta Odilon.   

   
A partir dessa questão, levantada no encontro de autoridades sobre escola e segurança, onde se percebeu o papel da família, que em alguns casos, terceirizam para a escola uma responsabilidade que é dela, O Pantaneiro foi ouvir a Psicóloga e Mestre em Educação e Oficial de Projetos da UNESCO (Organização das Nações Unidas, no Brasil, Mariana Braga.


“De uma forma geral eu diria que não. O que não quer dizer que existam famílias que de fato terceirizam. Isso acontece. Mas como no Brasil não tem dados sobre a presença das famílias nas escolas, a questão de valores familiares, não é possível a gente generalizar, dizendo que de fato a uma terceirização da educação familiar para a educação formal da escola. Mas é possível a gente dizer que as famílias que terceirizam essa educação para as escolas, provocam sim, uma crise de saúde mental nos seus filhos. Por que? Porque a escola dá continuidade a uma educação feita em casa. Uma educação emocional, uma educação de acolhimento, uma educação de valores”. Explica Mariana Braga.  


Mariana Braga ressalta, que a ausência da família tem desdobramentos negativos na formação do indivíduo. A escola é apenas um receptor do jovem, da criança, que trabalha aliada a família.


“Se o estudante não é acolhido não tem amparo emocional, não tem uma perspectiva, em família, de relação a própria cultura de paz, cultura de relacionamento. Quem eu sou, com quem eu me relaciono ou como eu me relaciono. De que forma esse estudante vai se relacionar com seus colegas, com seus professores. A relação geracional também é definida na família. Isso são amparos muito importantes que precisam ser definidos nessa educação familiar.” Completa Braga.

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