Inclusão
IBGE aponta que 5% da população brasileira é composta por pessoas surdas
A comunicação entre os seres humanos existe desde o início da civilização. Até mesmo os animais e a natureza têm códigos de expressão, seja entre si ou com tudo a sua volta. Nesse universo, estão as pessoas surdas, que também receberam a capacidade de se comunicar e de total inclusão, através da Libras (Língua Brasileira de Sinais), uma comunicação de extrema importância, que tem nos dias 23 e 24 de abril, como dia da Nacional da Educação de Surdos e Dia Nacional da Libras.
Em Aquidauana há muitos surdos que estão tendo acesso à Língua Brasileira de Sinais e, dessa forma, conquistando espaços e conseguindo se relacionar de maneira mais clara com a sociedade, como no caso do jovem aquidauanense, Luiz Fernando, 28 anos, que nasceu surdo, e trabalha como funileiro. Aos 6 anos de idade, começou a aprender Libras. Luiz Fernando conversou com o Pantaneiro, sobre a importância da Libras,
“Em Aquidauana precisa dessa comunicação, porque essa comunicação é importante. Então, é preciso dessa comunicação em Libras. Se todo mundo conhecesse a Libras, cada pessoa que eu encontrasse, surdo ou ouvinte, teria essa inclusão. É importante ter várias pessoas em Aquidauana, Anastácio, conhecendo a Libras”.
Luiz Fernando contou com uma grande ajuda na aprendizagem de Libras, em Aquidauana, e dá uma dica para quem for surdo ou não, mas que deseja aprender libras.“Primeiramente, a professora Sara. Ela ia na escola modelo, e começou a ensinar libras para ele. Lá no Instituto Federal, que tem o Michel, que é professor de libras, quem quiser aprender com ele também”.

Essa conversa contou com a participação do intérprete de Libras, da Câmara dos Vereadores de Aquidauana, Job Justino.
Quem deseja aprender Libras, em Aquidauana, pode procurar informações na Escola Estadual Antônio Corrêa, conhecida como “escola modelo”, que fica na rua Teodoro Rondon, no centro da cidade de Aquidauana.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), 5% da população brasileira é composta por pessoas que são surdas, ou seja, esta porcentagem corresponde a mais de 10 milhões de cidadãos, dos quais 2,7 milhões possuem surdez profunda, portanto, não escutam absolutamente nada.
No Brasil, a Libras (Língua Brasileira de Sinais) surgiu no século 19, numa derivação da mesma linguagem de sinais, francesa, que permitia inclusão as pessoas surdas. O surgimento dessa comunicação em nosso país, data em torno do ano de 1.855, quando aqui chegou o professor francês Ernest Huet, que era surdo desde os 12 anos.
Aqui no País, ele estabeleceu a educação de surdos por incentivo do imperador Dom Pedro II, ocasião que foi fundado o Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), no Rio de Janeiro. Um órgão que hoje faz parte do Ministério da Educação e atende alunos surdos da Educação Infantil até o Ensino Médio, além de oferecer ensino profissionalizante e estágios remunerados que ajudam a inserir os surdos no mercado de trabalho.
Apesar de todo avanço para inclusão do surdo, ainda há o que conquistar, como fala a professora e Tradutora Interprete de Português/Libras, Pós-Graduada em Educação de Surdos pelo Instituto Nacional de Surdos, do Rio de Janeiro, Paula Tostis.
“Hoje as principais barreiras que observamos são linguísticas e culturais, ou seja, a questão do acesso à Língua e aceitação das diferenças que envolvem a comunicação entre surdos e ouvintes, o desconhecimento referente à cultura surda, identidade surda, do surdo em sua totalidade e nas múltiplas identidades surdas existentes.” E acrescente a professora, “No geral o panorama vem melhorando, mas da conscientização das grandes massas ainda se faz necessário. Está tudo em nível micro. Municípios estão realizando avanços isoladamente no que se refere ao desenvolvimento educacional da pessoa surda, mas não há troca entre os demais municípios, estados, e daí por diante; digo isso de uma perspectiva de grandes centros, mas precisamos ampliar essa discussão pensando principalmente em surdos que estão em ambientes menos favorecidos., com menos acesso aos recursos disponíveis, sejam humanos, financeiros ou materiais.”
Pais de surdos também necessitam aprender a Língua
Algumas famílias de surdos também enfrentam dificuldades nessa relação, porque muitas vezes no seio familiar há dificuldade de comunicação, destaca a intérprete de Libras, Paula Tostis.
“Muitas mudanças são necessárias. Dentre tantas necessárias, penso que as principais sejam oferecer Libras para pais de surdos e para seus filhos, desde a descoberta da surdez e trabalhar a educação tendo como princípio o profissional surdo à frente desse processo educacional, ou seja, profissionais surdos sendo protagonistas desse processo com demais profissionais realmente inseridos neste contexto comunidade”.
A professora Paula Tostis explica que a disciplina Libras é obrigatória em nível acadêmico nas Licenciaturas em todos o país, desde a aprovação da Lei 10.436/02, já a lei 14.191/21 altera a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), quanto à modalidade de ensino bilíngue para surdos sendo a Libras (Língua Brasileira de Sinais) a primeira língua do surdo, e a Língua Portuguesa escrita como segunda língua em todos os níveis de ensino. Segundo Paula, há um movimento de luta pela inserção da disciplina Libras no currículo escolar.
Assista à entrevista:
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