dothCom Consultoria Digital
Publicado em 28/08/2009 às 09:58
Atualizado em 10/09/2026 às 13:55
Aos 21 anos, Yamaguchi Falcão chega à sua maior competição na carreira. Ao contrário dos companheiros de seleção, ainda não foi a Pans e Olimpíadas e faz sua estreia pelo Mundial, em Milão. Mesmo assim, chega como status de principal lutador do time, já que conquistou sua vaga no time com facilidade e ainda aparece como o melhor brasileiro no recém-lançado ranking da federação internacional de boxe amador, a Aiba.
Até aparecer na quinta colocação da lista, na categoria até 75 kg (peso médio), o líder do clã Falcão deixou os treinos no quintal de sua própria casa, no Espírito Santo, e enfrentou grandes desafios. Agora, começa na terça-feira seu caminho rumo ao pódio na Itália.
O início no boxe teve influência do pai, um lutador de vale-tudo que já viajava para seus combates na época em que a modalidade ainda não tinha o forte status de hoje. Para treinar em sua casa, na capital Vitória, ele resolveu instalar um ringue no quintal. Para a garotada - um total de nove filhos -, a festa estava garantida. Festa que viraria profissão para três garotos mais adiante.
Logo aos 13 anos, o jovem Yamaguchi já entrava no quadrilátero como pugilista amador. "Nossa vida lá no Espírito Santo foi complicada, mas eu consegui ir para o boxe. Meu pai estava com medo de me colocar no campeonato capixaba, mas acabou botando. Falou que se eu não fosse bem jogava a toalha", lembra Yamaguchi, que não decepcionou. "Só enfrentei veteranos e ganhei. Eu era muito rápido."
A velocidade impressionou com o passar do tempo. O capixaba veio para São Paulo e, após duas lutas, aos 15 anos, foi contratado pelo São Caetano, com intermédio do medalhista olímpico Servílio de Oliveira, clube pelo qual luta até hoje.
A visibilidade também levou o garoto à seleção cadete e, posteriormente às quartas-de-final do Mundial Juvenil. Só não foi além porque fraturou a mão. Yamaguchi só parou de crescer quando viu um rival de respeito pela frente. Na época, ele lutava entre os meio-médios, e seu rival por uma vaga no time adulto era o baiano Pedro Lima. Assim, a concorrência tornou-se complicada, ainda mais com o ouro no Pan do companheiro, que quebrou um jejum de 44 anos de vitórias brasileiras na competição, em 2007.
"Eu já queria subir de categoria e não me deixavam. Nessa época até tive uma briga e sai da seleção", explica o número 5 do mundo. "Fui lutar o Campeonato Brasileiro e, além de ser campeão na nova categoria, fui eleito melhor lutador da competição. Aí eles viram o que eu podia fazer."
A posição na nova categoria foi garantida com certa facilidade, com os resultados que deixaram Yamaguchi bem colocado no ranking - o atual líder é de Cuba, Emilio Correa Bayeux. Entre os resultados de destaque, ele foi o campeão do Pan-Americano de Boxe, em julho, no México.
Agora, quer repetir o bom resultado e ir além. "Estou num momento muito bom, foi uma surpresa estar tão bem no ranking. Eu me preparei muito bem e estou tranquilo. Acho que o nervoso chega quando chegar lá (no Mundial)", admite ele.
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