Algo que começou na infância e permanece intacto na vida da aquidauanense Marlene Rodrigues Barata, 69 anos, "prestes a completar 70", como ela própria faz questão de deixar claro. O amor pelo vôlei faz com que ela, até hoje, acumule medalhas e grandes história para contar.
Nascida e criada na Princesa do Sul, Dona Marlene estreou nas quadras no esporte que tanto ama, na época do colégio, com apenas 12 anos. Desde então, sempre esteve nas seleções aquidauanenses e participou de diversas competições. O tempo passou, ela construiu família, mas nunca esquecendo de reservar um tempo que considera sagrado para o vôlei. Ela passou a treinar, recentemente, no time do município vizinho de Anastácio que disputa campeonatos de idosos.
O talento da aquidauanense chamou a atenção do técnico da equipe da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em Campo Grande, que a convocou para compor a seleção de idosos de Campo Grande. Defendendo as cores da capital sul-mato-grossense, ela acabou selecionada para um desafio ainda maior, jogar pela seleção de Ilha Solteira (SP) que iria disputar os 19º Jogos Regionais do Idoso, em Birigui (SP). E ela conta que não foi a única representante de Aquidauana na competição.
"Minha parceira Maria Madalena Mascarenhas também foi convocada, ela mora em Campo Grande, mas também é aquidauanense. Ela é atacante, eu jogo na defesa", orgulha-se Dona Marlene.
A atleta afirma que disputar a competição em Birigui, que ocorreu de 11 a 13 de setembro, foi uma experiência incrível, pois nunca havia jogado em um ginásio com público tão grande. Para fechar com chave de ouro, a seleção de Ilha Solteira levou o título e Dona Marlene foi considerada uma das melhores defensoras do certame. E ela, obviamente, diz seguir em buscas de mais desafios.
"Vou continuar jogando, agora eu estou me preparando para estar nos JAI (Jogos Amistosos de Idosos), em Campinas (SP), na faixa etária até 70 anos", explica. Por sinal, ela vai completar sete décadas de vida no próximo dia 05 de outubro.
Benefícios
Pode fazer sol, chuva, calor, frio, Dona Marlene diz que nunca deixa de jogar vôlei em Anastácio, às segundas, quartas e sextas-feiras. Ela acredita que a idade não pode ser um empecilho e que o esporte mudou completamente a sua vida, além de aconselhar pessoas da mesma faixa etária a levarem uma vida atlética.
"Tem muita gente da minha idade que tem vergonha de jogar. Todas as pessoas que conheço que praticam esportes estão cheias de saúde, bom humor, se cuidam, sempre fazendo os exames necessários. Basta se cuidar, procurar um médico, se consultar regularmente, pois o esporte só traz benefícios para a nossa saúde".
Para jogar, ela conta com o apoio total dos três filhos, Ana, Elcio e Magna , dos quatro netos e do bisneto. Ao ser convocada para jogar em Campo Grande, até brincou com os netos, dizendo que por muito tempo eles foram o seu orgulho, agora é a vez de ela ser o orgulho deles.
Raquete
Além do vôlei, Dona Marlene também pratica e coleciona medalhas em outra modalidade esportiva. Ela participa do projeto ?Amigos do Tênis?, idealizado há um ano na cidade de Aquidauana pelo juiz Fernando Cury junto com dois amigos que também atuam na área jurídica, Ivinicius Dalan e Abdalla Maksoud.
Ao agradecer, ela cita o apoio de familiares, amigos, do professor de vôlei de Anastácio Juarez e do juiz Fernando Cury e os "Amigos do Tênis. Questionada sobre o futuro, a aquidauanense reflete e diz que pretende seguir sua vida esportiva até quando puder.
?Sei quem um dia eu vou precisar parar, mas, quando isso acontecer, vou parar com a sensação de dever cumprido?.