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Morre jovem levado a 5 hospitais do RJ

Ele morreu às 5h desta quinta-feira (29), segundo Secretaria. Corpo será levado para o Instituto Médico Legal (IML).

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Morreu às 5h desta quinta-feira (29) o jovem Gabriel de Sales. As informações foram confirmadas pela Secretaria municipal de Saúde. Ele estava internado desde o dia 19 no Hospital Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte do Rio, depois de percorrer cinco hospitais da Baixada Fluminense e do Rio para conseguir atendimento médico.
 
De acordo com a Secretaria, o corpo do jovem será levado para o Instituto Médico Legal (IML). Na quarta-feira (28), Gabriel já tinha apresentado uma piora no seu quadro de saúde e precisou voltar para o CTI. 
 
Gabriel foi internado depois de cair da laje de casa em Xerém, na Baixada Fluminense. Ao dar entrada no Hospital Salgado Filho, ele foi submetido a uma neurocirurgia e chegou a ficar em coma induzido, segundo informou a Secretaria municipal de Saúde.
 
Exoneração
 
No dia 21, a Secretaria estadual de Saúde informou que o diretor do Hospital estadual Getúlio Vargas, Luiz Sérgio Verbecaro, e o chefe de equipe de plantão do Hospital estadual Adão Pereira Nunes, Jocelyn Santos de Oliveira, foram exonerados. A pedido do secretário Sérgio Côrtes, foi aberta uma sindicância para apurar o caso e as informações preliminares indicam divergências de relatos sobre a conduta das equipes das duas unidades estaduais, informou a Secretaria.
 
A Secretaria informou ainda que a regulação do paciente não foi feita pelo Samu Baixada, como determina o protocolo do Ministério da Saúde para os casos de urgência e emergência. 
 
88 km em sete horas
 
Após sofrer o acidente, Gabriel percorreu 88 km em uma ambulância até conseguir atendimento no Hospital Salgado Filho. De acordo com a mãe de Gabriel, Maria dos Santos Bezerra, o filho chegou a ser atendido no posto de saúde de Xerém. "Ele teve um atendimento bom lá. O médico foi muito bom, mas mandaram ele para Saracuruna, porque disseram que lá não tinha aparelhagem", contou na época a mãe do jovem.
 
De lá, Gabriel foi levado para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. O destino seguinte foi o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte da cidade. Após mais uma tentativa frustrada, encaminharam o jovem para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. Sem alternativa, o destino foi o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no subúrbio, onde, segundo a família, Gabriel chegou a fazer exames, mas não pôde ficar internado. Já era 23h quando Gabriel chegou ao Hospital Salgado Filho.
 
Sérgio Côrtes afirmou que o erro foi no primeiro atendimento, no posto de saúde em Xerém. "Na unidade de saúde em que ele está, [o procedimento é] entrar em contato com a central de regulação e solicitar uma vaga para evitar essa peregrinação, essa absurda peregrinação durante 90 quilômetros. Toda a rede de urgência e emergência estava avisada que naquele período de 19 h até as 2 da manhã o tomógrafo [do Hospital Saracuruna] estava em manutenção. Mas tinha ressonância magnética, poderia ter sido feita. Então o grande erro foi a não-solicitação da transferência. Isso fez com que ele peregrinasse, literalmente, por vários hospitais, até que finalmente foi atendido no Hospital estadual Carlos Chagas, onde foi acolhido, foi feita a tomografia, foi feito o diagnóstico do traumatismo craniano e então solicitada a vaga para o Hospital Salgado Filho, quando ele foi finalmente transferido", explicou.
 
Caxias rebate responsabilidade
 
Após o problema, a Secretaria de Saúde de Duque de Caxias enviou uma nota sobre o atendimento de Gabriel no posto de saúde em Xerém:
 
"A Secretaria de Saúde de Duque de Caxias informa que fez seu papel ao prestar o primeiro atendimento a Gabriel Paulino. Seu estado foi estabilizado na Unidade Pré-Hospitalar de Xerém e encaminhado a unidade referência do município para politraumatizados: o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes. Não cabia à UPH de Xerém acionar a Central de Regulação de Leitos do Estado. O paciente, após o atendimento preliminar que salvou sua vida, foi encaminhado para o hospital especializado mais próximo, o Adão Pereira Nunes, que pertence ao Estado do Rio de Janeiro e deveria ter acionado a central."
 
Secretaria de Saúde do Rio
 
A Secretaria municipal de Saúde do Rio disse que não consta no sistema de regulação municipal qualquer solicitação de internação para o paciente, que é de fora da cidade do Rio e não conseguiu atendimento.
 
Sobre a falta de atendimento no Hospital municipal Souza Aguiar, a prefeitura disse que a unidade estava atendendo a três casos graves na neurocirurgia, por isso não havia vagas naquele momento.

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