Geral
A ausência de um corpo produz angústia e move as conversas do dia a dia
“Estamos fazendo corrente de oração!”. A iniciativa de Ana Célia Albuquerque e amigos é apenas uma de muitas outras já acontecidas em Aquidauana, Anastácio e além, relacionadas ao desaparecimento, há oito dias, do corpo da menina Laura Freitas, 11, nas águas do Rio Aquidauana, durante um passeio de barco.
A tragédia, tem sido o assunto do dia nas rodas de conversas, motivo de preocupação das pessoas de bem e, obviamente, angústia dos familiares. “No afã de ajudar, muitos atrapalham”, observa J. Silva, 42, aludindo aos debates pós textos, nas mídias sociais, muitos dos quais assumindo o tom de julgamento.
“Em respeito a dor da família, é melhor não falarmos em responsabilidades”, diz o editor de um site local. Sugestões, até que são bem-vindas, principalmente aquelas que visam indicar nortes aos envolvidos nas atividades de buscas. “Pode descer o Rio, a correnteza está muito forte”, registra Grazielly Souza, indicando uma referência para busca do corpo da pequena Laura. Jussara Anderson reforça: “o corpo está preso no fundo do Rio”.
Até o poeta José Pedro Frazão registrou sua dor em versos neste tempo de buscas. “Devolve esta indefesa criatura / que no teu leito encerra a pobre vida, / no afã de contemplar tua formosura / e faz calar a dor da nossa gente / que novamente chora a despedida / de uma criança incauta, inocente”, escreveu, sem obter ainda, a resposta ansiada.
Emoções e desejos colaboracionistas à parte, a verdade é que a razão precisa ser contemplada. Que o silêncio substitua o ímpeto do falar irrefletido. Aos que se propõem a ajudar nas buscas, observar as normas de segurança é fundamental. Basta a tragédia de Laura. Bastam as lágrimas desta perda, porque o Rio, embora seja “o mais formoso”, conforme opinou Taunay, é, também, extremamente perigoso!
Luto
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Levantamento
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