Schimene Duque Weber
Publicado em 17/12/2021 às 13:59
Atualizado em 10/09/2026 às 14:15
A prova para o concurso para professor de ciências/biologia para a rede pública de ensino de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, espalhou fake news sobre a COVID-19 e orientação sexual da população.
De acordo com levantamento feito pelo g1 do Estado, a prova, que foi realizada no domingo passado (12), contou com 40 questões. Após a aplicação da seleção, concurseiros procuraram o jornal para denunciar dois enunciados em específico. A questão de número 34 procura descobrir a resposta incorreta sobre a "técnica do DNA recombinante que é uma importante arma biológica para engenharia genética na produção de diferentes proteínas em laboratório".

As respostas ainda apresentam conceitos biológicos relacionados a criação de proteínas em laboratórios, como técnicas de "inserção de gene da insulina no DNA". Além, outras respostas apresentam teses sobre o melhoramento genético em vegetais por meio da técnica.
Entretanto, os profissionais que realizaram o concurso, em maioria, acreditaram que a resposta incorreta seria a "B", em que apresenta uma "teoria conspiratória", onde diz que "o laboratório chinês Bioengenharia localizado em Wuhan, produziu o vírus da COVID-19". Porém, ao verem o gabarito preliminar, o espanto foi maior para os concurseiros: a teoria que acharam "conspiratória" é apresentada como correta.
Em outra questão, a de número 35, o enunciado apresenta uma história em que dois gêmeos univitelinos, nascidos em família judaica, foram circuncidados, porém um dos meninos teve o "pênis parcialmente amputado. Após várias consultas a especialistas, a família decidiu terminar o processo de amputação, fazer uma cirurgia para construção de uma vagina, registrar a criança com nome feminino e educá-la como menina".

Após os recursos de pedido de anulação por parte das pessoas que realizaram a prova, a comissão de direitos humanos da OAB/MS se "colocou à disposição para oficiar a empresa para uma reanálise da questão".
A OAB/MS orienta que os participantes do certame que se sentiram ofendidos podem contar com a orientação da entidade pelo telefone (67) 3318-4700.
A empresa MS Concursos, que realizou a prova e segue com os trâmites de correção, respondeu aos questionamentos do g1 em nota. Veja o posicionamento na íntegra abaixo:
"Nossa Empresa tem uma equipe de revisão, composta por professores de língua portuguesa. A questão 34 refere-se a 'A figura a seguir representa, de forma esquemática, a técnica do DNA recombinante que é uma importante arma biológica para a Engenharia Genética na produção de diferentes proteínas em laboratório.' Quanto a questão 35, na alternativa D consta: O comportamento homossexual é uma aberração que depende da marcação dos cromossomos sexuais. Para melhor esclarecimento citamos 'As aberrações cromossômicas são consideradas indicadores biológicos sensíveis ao dano ocorrido no ácido desoxirribonucleico (DNA) (Da Silva, 2001)'. Acreditamos que os 'que se sentiram desrespeitados com duas questões' não entenderam que, no contexto da prova, 'aberração' não se trata de uma afronta ao homossexual, mas de um termo científico".
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