Aniversário
Após mais de cinco décadas, jornal resiste e hoje faz notícias em multiplataforma
Criado em 1965, O Pantaneiro completa 57 anos de história nesta quinta-feira (5). Diversos percalços foram enfrentados neste caminho, todos de cabeça erguida, depois que um tipógrafo, em dentista e um advogado resolveram fazer jornalismo em plena Ditadura Militar.
Desde então, houve resistência à censura, crises econômicas, diversos governos e ressurgimento após enchentes devastadoras provocadas pelo ciclo das águas no Pantanal.
E grandes desafios vieram com a chegada da internet, pois, apesar de nos reinventarmos e seguir nosso caminho com honestidade, vimos a concorrência chegar com vontade de tomar nosso lugar.
Ficamos cada vez mais perto de nossos leitores com as redes sociais, mas também passamos a enfrentar enxurrada de críticas, desproporcionais muitas vezes. Convivemos com a polarização política.
A lista de obstáculos na nossa trajetória rende muito mais que um parágrafo. Mesmo assim, nunca abandonamos o papel jornal, o gosto por estampar notícias à tinta, assim como jamais nos esquecemos do nosso papel como jornal, como veículo de comunicação que tem uma única missão: a de entregar informação de qualidade.
Por isso temos orgulho de dizer que neste 5 de maio, mesmo com todos os reveses, O Pantaneiro completa 57 anos, "mais de meio século contando a sua história". E pretendemos seguir, logo iremos nos tornar sexagenário.

História
Neste aniversário do veículo de comunicação que é referência para Aquidauana, Anastácio e região, recordar como chegamos até aqui também é um ato de resistência, a nossa contribuição em forma de registro histórico para o amanhã tão incerto.
Em 5 de maio de 1965, um ano após o Golpe Militar no Brasil, Aldo Royg, o gráfico, Augusto Alves Correa, o jurista, e Oscar Barros Filho, o odontólogo, desenharam e preencheram as primeiras páginas de O Pantaneiro. E assim fizeram por uma década de edições que sempre se preocupavam em retratar o cotidiano do homem pantaneiro e os acontecimentos mais importantes por aqui.
Em 1975, o professor e sindicalista, José Lima Neto, recém-chegado a Aquidauana, assumiu o fazer daquelas páginas, distribuídas semanalmente. Seu Lima, como é conhecido, até hoje dá a coordenadas para a redação.

Por 40 anos, Lima Neto teve um braço direito. Alice Bonafé Tavares Lima, esposa do editor e diretora comercial de O Pantaneiro, faleceu na madrugada do dia 21 de novembro de 2015. A data é lembrada por Rhobson Tavares Lima, filho do casal e colaborador do grupo desde 2003, como uma das mais difíceis de sua vida como profissional da imprensa. "Ela era nosso esteio. Fiquei sabendo na madrugada e tive de sentar e escrever uma notinha do falecimento. Isso me marcou bastante".
Mais lembranças
O Pantaneiro sempre foi uma empresa familiar. Rhobson conta com a ajuda dos irmãos Vladmir Tavares de Lima e Arethéia Tavares Lima Pellicioni, da esposa Lise Rossi Jones Lima e do cunhado Gustavo Pellicioni na condução do veículo, hoje multimídia.

Os irmãos cresceram dentro do jornal. A casa da família, que no passado ficava na Rua 7 de Setembro, era integrada à redação e parque gráfico. E é justamente daquele endereço que vem mais uma das lembranças.
Em 1989, Aquidauana enfrentou uma das piores enchentes da história. "Fomos ribeirinhos por mais de 20 anos e estávamos viajando, eu, minha mãe e meu pai. Quando chegamos de São Paulo, só tinha o telhado para fora. Um prejuízo muito grande. Foi quando minha mãe disse que a partir daquele dia nossa meta era sair dali e conseguimos comprar o terreno para construir aqui na 15 de Agosto", conta Rhobson.
Um dos comandantes do grupo diz buscar forças, até hoje, na garra dos pais, para honrar com o compromisso que a família assumiu, lá em 75. "O Pantaneiro só parou enquanto estava debaixo d'água. Meu pai não tinha direito de ficar doente e cada edição para ele é como um filho".
Nem as dificuldades financeiras impostas pela situação econômica do País, o desanima. "Se tem uma coisa que vale muito mais que dinheiro, é a credibilidade", comenta o herdeiro das ideias do pai, sobre na era da fake news, a notícia publicada por O Pantaneiro ter carimbo de verdade.
Rhobson se lembra até que no fazer diário do jornalismo, O Pantaneiro serviu até como provas periciais. "Tinha uma loja de pneus bem grande que pegou fogo. Naquele dia, eu fui fazer as fotos para o jornal e até me questionaram: 'vai ficar aí tirando foto, não vai ajudar não?'. Pensei, vou fazer meu trabalho. Bem depois, o dono da loja nos procurou. Ele precisava das fotos como prova de que havia acontecido o incêndio para acionar o seguro".
Numa outra ocasião, se recorda Rhobson, um perito ficou sem a câmera em plena cena de crime. "Tive que respirar fundo e entrar lá para fotografar o corpo".
Essas e outras tantas histórias têm importância para dizer que O Pantaneiro não se acanha em reafirmar que faz o verdadeiro jornalismo comunitário. Em nossas páginas, online ou impressas, estão as informações que a comunidade busca e precisa.
Receber os parabéns nos enche de orgulho, mas só aumenta nossa responsabilidade. Comemoramos esse aniversário em meio a um turbilhão, mas em respeito aos leitores que, nos acompanham todos os dias. Iniciamos mais um ano de O Pantaneiro com fé de que estaremos juntos por mais 57 ou mais quantos anos for possível!

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