X

Vida de acompanhante

Rafa é a prostituta que não se envergonha da profissão nem perde a chance de "gozar" a respeito

Conhecida por ser a "profissa melindrosa" de Miranda, ela prefere compartilhar de coração suas verdades já não mais secretas do que escondê-las por entre as pernas

Compartilhe:

A-

A+

"Sou uma p* mulher, e não uma mulher p*"

Mesmo exercendo a profissão de prostituta na cidade de Miranda – de onde é natural –, Rafaela Dias tem orgulho da palavra de quatro letras que define o que faz de melhor. O que para muitos é considerado palavrão, para ela é sinônimo de força, garra, coragem… e de muito prazer também.

Aos 28 anos, Rafaela Dias é a "Rafinha" escort girl, isto é, acompanhante particular (Foto: Rodrigo Catelani)

Em resumo, se considera a mulher digna de 28 anos em que a profissão não a define por inteiro, apenas parte de si. Conforme ela afirma, sua dignidade vem de como é enquanto pessoa.

Ao O Pantaneiro, Rafa fez questão de compartilhar verdades já não mais secretas. Em Miranda, todo mundo sabe da acompanhante que ela é. Alguns de forma mais íntima, pois viraram os clientes que têm o seu telefone na discagem rápida. Haja fôlego.

"O melhor da profissão é sempre voltar para casa com um dinheiro depois da gozada", brinca (Foto: Roger Chaves)

"Ser uma garota de programa, acompanhante, escort girl ou simplesmente p* é compartilhar sua companhia com outro alguém, dividir alegria, saber ouvir e até mesmo dar conselhos. Às vezes, o cliente quer apenas conversar. Assim como o advogado que escuta seu cliente confessar, somos um pouquinho 'psicóloga' também", opina.

Rafa conta que começou jovem na profissão que vem exercendo há quase 1 década. Naquela época, já não era mais virgem, apenas uma adulta "frígida".

Rafa "goza" e sente orgulho da profissão que presta como qualquer outro profissional (Foto: Rodrigo Catelani)

"Não achei aquele início difícil como imaginei que poderia ser. Eu só era mais quietinha e tinha muita vergonha de me entregar de verdade. Hoje já não mais. Ter experiências sexuais com diferentes pessoas fez a diferença. Mas o melhor é sempre voltar pra casa com o dinheiro depois da gozada (risos)".

"Antes de virar acompanhante, até tentei um emprego 'convencional'. Mas eu não tinha experiência e muito menos um 'padrinho' que pudesse me indicar. Cidade pequena tem essas coisas!"

Outro fato que a fez seguir no segmento do sexo é que ela se tornou proprietária do seu negócio – e dona do seu próprio corpo.

"Eu atendo quando e quem eu quero, e pelo preço que eu bem quiser. Tenho sim orgulho da profissão que realizo, pois eu presto um determinado serviço como qualquer outro profissional e ainda 'gozo' fazendo", brinca.

"Eu atendo quando e quem eu quero, pelo preço que eu bem entender. Sou dona do meu negócio" (Foto: Roger Chaves)

Como uma garota de programa de uma cidade do interior, da região pantaneira, o foco de Rafa são aqueles que vem de fora, principalmente homens que procuram o turismo de pesca.

"Hoje trabalho por conta própria em Miranda. Antes, oferecia o serviço em boates no Pantanal e tinha o costume de frequentar vários ranchos e hotéis da região. Os clientes entram em contato pelo telefone e agendam um horário. Muitas pessoas na cidade têm meu número particular e estão autorizados a passar para outros. Inclusive, eles me conhecem bem, isto é, sabem o que eu faço de melhor", compartilha.

Ficando "nua" com a sua verdade nada secreta, ela faz questão de compartilhar o que exerce (Foto: Roger Chaves)

Verdade nada secretas – No município mirandense, distante 71 quilômetros de Aquidauana, muitos sabem o que ela exerce profissionalmente – e ela não tem a menor vergonha de falar sobre para quem desconhece.

"Quem não sabe e me faz a pergunta de 'qual seu trabalho', já digo em alto e bom som: 'sou uma prostituta'. Prefiro que já fiquem cientes do que exerço do que ficarem cogitando por aí de eu ser a 'santinha' que nunca fui", admite.

Claro que nunca tudo são flores. Várias são as situações vividas, que é fácil imaginar a respeito. Das suas colegas de profissão, já ouviu aqueles que foram barradas na entrada de hotéis e ranchos mesmo com o cliente pagando a taxa extra. Nome disso? Preconceito pela acompanhante que está ali, "acompanhando".

"Uma das coisas que considero bastante desagradável é o povo achar que só porque eu sou prostituta quem anda comigo também seja. Por exemplo, minhas amigas. Só porque elas estão junto de mim não significa que sejam acompanhantes. É ridículo afirmar isso. Fora da minha profissão, tenho minha vida particular, amigos e família como qualquer outra pessoa", revela.

"Só porque minhas amigas estão comigo não significa que sejam acompanhantes também" (Foto: Rodrigo Catelani)

E por falar em família, a de Rafa sabe sim o que ela tem de "labuta". "Nunca ninguém meteu o bedelho na minha vida, dizendo o que eu podia ou não fazer. Aliás, nunca nem conversamos a respeito, sobre minha profissão especificamente. De qualquer maneira, todos me tratam bem, me sinto amada e parte do coletivo familiar", esclarece.

Sobre o preconceito que é comum receber – desde cantadas até olhares e xingamentos –, Rafa confirma que nem liga mais.

"A verdade é que todo mundo gostaria de ter a mesma coragem que tenho de ser quem realmente é. Vivo minha vida muito feliz, obrigada".

Vida de acompanhante – "Um banho quente, com uma boa higienização íntima, ouvindo as músicas perfeitas para um show de striptease". Assim é a preparação para Rafa já entrar no clima.

"Tomo um banho quente, faço a higienização íntima e ouço músicas eróticas para me aprontar" (Foto: Roger Chaves)

"Me arrumo para chamar a atenção com roupas que desenham melhor o meu corpo, maquiagem mais básica e às vezes salto bem alto. Mas já aconteceu de eu sair para curtir com os amigos, sem nenhuma produção, e aparecer cliente interessado", diz.

E ela não perde a chance de ganhar dinheiro à sua espera.

"É claro que chega uma hora que cansamos sim. Quando isso acontece, é chegada o momento das férias! Ganho um bom dinheiro e vivo bem graças a Deus. Como qualquer outra profissão, tem dias que a grana não entra tão fácil. Na pandemia, por exemplo, foi difícil, mas aos poucos já está melhorando".

"As pessoas poderiam parar de julgar a vida alheia. Cada um vive como bem entender" (Foto: Rodrigo Catelani)

Sendo a acompanhante que é, Rafa acredita fielmente que cada um de nós deveria se autoconhecer. "Tocar no seu próprio corpo, descobrir onde sente mais prazer, realizar alguma fantasia, curtir mais o momento, relaxar e deixar acontecer!", sugere.

E acrescenta: "uma coisa muito importante que sempre deixo de dica: caso procure o serviço que faço, vá de cabeça leve. Pensar em problemas do dia a dia faz com que o seu corpo não responda, e nós prostitutas não fazemos milagres…"

"O melhor de tudo seria as pessoas pararem de julgar a vida alheia. Cada um tem a sua vidinha e faz dela o que bem entender. Todos nós vivemos sob o nosso teto de vidro particular. Lembre-se: ao apontar o indicador, outros quatro dedos se viram contra você".

Para Rafa, sem sombra de dúvidas, ela é uma "p* de uma mulher". "Sou forte, de atitude, de verdade e que impõe respeito. Minha profissão me enche de prazer –  literalmente! Me divirto, ganho dinheiro, recebo convite para viajar e ter uma vida de 'patroa', nem que seja só por alguns dias", elenca.

"Sou forte, de atitude e que impõe respeito. O que faço me enche de prazer, literalmente!" (Foto: Roger Chaves)

Por fim, engana-se quem pense seu maior desejo seja de cunho sexual. "Gostaria de ter a oportunidade de entrar no BBB (Big Brother Brasil). Quero mostrar quem sou de verdade. Sou a Rafinha garota de programa que quebra tabus, mas também a Rafaela mulher empoderada. Ainda, a Rafa menina, filha e amiga de sempre. Acredite".

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Zanin garante acesso gratuito a sites da Justiça Eleitoral nas eleições

Eleições 2026

Zanin garante acesso gratuito a sites da Justiça Eleitoral nas eleições

Medida vale 72 horas antes e 24 horas depois de cada turno; determinação alcança sites oficiais, serviços eleitorais e aplicativos como o e-Título

Aquidauana tem 23 vagas temporárias para equipe de carreta oftalmológica

OPORTUNIDADES

Aquidauana tem 23 vagas temporárias para equipe de carreta oftalmológica

Oportunidades são para cinco funções, com atuação prevista durante os 45 dias de permanência da unidade; currículos podem ser enviados até quinta-feira

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo