Policial
Índios invadiram nesta terça-feira prédios da Funai em Boa Vista (RR) e Dourados (MS). Em Boa Vista, índios ligados à Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima) entraram no final da tarde na sede do órgão federal.
Segundo o presidente da Sodiur, Silvio da Silva, os índios invadiram o prédio em protesto contra a possível retirada dos habitantes não-índios do interior da terra indígena Raposa/ Serra do Sol. O grupo é favorável à permanência dos arrozeiros no local. O caso aguarda definição do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em Dourados, cerca de 60 índios das etnias guarani, caiuá e terena invadiram a Funai para pedir a substituição da atual administradora, Margarida Nicoletti, por um índio a ser indicado pelos líderes de 27 aldeias do sul de Mato Grosso do Sul.
Abrigados no prédio principal e em um galpão no terreno da sede, os índios criticam a "falta de ação" do órgão em relação a pontos como o incentivo às práticas agrícolas e a escalada da violência nas áreas indígenas da região.
Segundo Lucas Paiva, presidente da Associação Indígena Kateguá, Nicoletti vem impedindo a entrada da polícia e de jornalistas nas áreas sob sua responsabilidade. "Isso piorou a insegurança, pois nos deixou isolados. Estamos vendo crescer todos os dias os números sobre mortes e isso não pode mais continuar", disse.
Outra queixa diz respeito a uma suposta morosidade na entrega de cestas de alimentos às aldeias. Segundo os índios, parte da comida está estragando nos depósitos do órgão.
Procurada pela reportagem, a administradora negou que haja problemas na distribuição das cestas. Ela entrou ontem com um pedido de reintegração de posse na Justiça Federal. "Quero que eles provem o que estão dizendo, pois entregamos uma média de 13 mil cestas por mês. É um trabalho transparente, que está lá para quem quiser ver", afirmou ela.
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