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PF prendeu militar da Marinha e mais 4 durante operação contra pedófilos

Durante investigação, polícia detectou cerca de 1.500 arquivos de pedofilia

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Em 9 meses de investigação contra rede de distribuição de fotos e vídeos contendo cenas de estupro contra crianças e adolescentes, a PF (Polícia Federal) prendeu cinco pessoas, quatro delas em flagrante nesta quarta-feira (6) quando foi deflagrada a Operação Inocência Violada. Um dos presos hoje é um militar aposentado da Marinha do Brasil, de 65 anos, que mora em Campo Grande.

O militar, vestido de azul, chegou à sede da PF na Capital sem algemas, mas na parte de traz de um veículo descaracterizado escoltado por viatura. Na garagem, ele desceu do carro de cabeça baixa e foi levado para dentro do prédio por dois agentes. A polícia não detalhou o motivo da detenção.

Além do aposentado, em Campo Grande, nesta manhã, foram presos um assistente serviços gerais, de 29 anos, um comerciante de 40 anos. Em Naviraí, um servidor público, de 49 anos, foi alvo da operação. O quinto foi preso ao longo da investigação, mas a PF não deu detalhes sobre esta prisão.

Na coletiva de imprensa, na manhã de hoje, delegados da PF informaram que os presos a princípio não mantinham contato um com o outro. “Traçar o perfil do pedófilo é muito difícil”, explicou o delegado Fernando Rocha, responsável pela investigação.

O superintendente regional da PF, delegado Cleo Mazzotti, ressaltou que, na verdade, “não existe idade, sexo, profissão” para praticar este tipo de crime contra crianças e adolescentes. “Infelizmente, eles estão em qualquer lugar”.

“É um comportamento doentio. Eles são doentes, mas tem vida social, não são inimputáveis”, completou Fabrício Martins Rocha, delegado regional de combate ao crime organizado.

Os presos de hoje foram flagrados em casa conteúdo pornográfico infantil em celulares e computadores. Produção de pornografia, armazenamento e compartilhamento de tais imagens são crimes diferentes.

“É muito grave, porque um mero armazenamento é um crime e normalmente quem tem material armazenado, compartilha”, destacou Mazzotti.

Quantidade de arquivos - Ao somar a quantidade média de arquivos baixados por 5 homens investigados pela Polícia Federal, são mais de 1.500 as imagens de estupro de crianças e adolescentes armazenadas e compartilhadas pelos pedófilos em Campo Grande e Naviraí.

Os delegados responsáveis pela Operação Inocência Violada, desencadeada na manhã desta quarta-feira (6), disseram que ainda não é possível apontar o número exato de material encontrado com os 5 alvos da ação, 4 deles presos em flagrante hoje e o 5º pego durante os 9 meses que duraram a investigação.

No entanto, já na fase de apuração, o tráfego de cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes foi considerável. “Posso precisar para vocês que a maioria dos álbuns, eles tinham mais de 300 arquivos baixados”, explicou o delegado Fernando Rocha, responsável pela investigação.

Em 2017, a Polícia Federal de Campo Grande criou o NuDetective, programa para detectar pornografia infantil. O sistema utiliza algoritmos para varreduras durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, sem que seja preciso uma busca manual nos computadores dos acusados. A tecnologia facilia o trabalho e deixa mais seguro o processo.

"Quando nossas equipes vão nessas buscas...mantêm a integridade da prova e do computador e não há possibilidade de alegação posterior de que as provas foram plantadas e isso garante a prisão em flagrante pelo armazenamento de imagens", explica o superintendente da PF, Cleo Mazzotti.

A pena prevista no Código Penal para quem armazena este conteúdo é de 1 a 4 anos de reclusão. Compartilhar o material tem punição maior – de 3 a 6 anos de prisão. Já “produzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente” tem pena de 4 a 8 anos.

A operação - Desde cedo, as equipes estão nas ruas de cinco cidades de Mato Grosso do Sul em operação contra rede de distribuição de arquivos contendo pornografia envolvendo crianças e adolescentes. Equipes cumprem 11 mandados de busca e apreensão – 7 em Campo Grande, 1 em Chapadão do Sul, 1 em Jardim, 1 em Miranda e 1 em Naviraí.

A ação é resultado de apuração que começou em abril de 2018, a partir de monitoramento pela internet. Os investigadores identificaram pessoas que estariam acessando arquivo com as imagens dos estupros.

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