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Veículos de luxo roubados são 'transformados' em carros militares

A investigação apurou que servidores do Detran chegaram a fazer até 100 inserções irregulares

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Nesta quinta-feira (24), as policias Federal e Rodoviária Federal realizaram apreensões de veículos de luxo em Campo Grande, como BMW e Land Rover, que possuiam a numeração dos chassis de carros do Exército.  O esquema fraudulenta envolvia funcionários do Detran (Departamento Estadual de Transito) e apreensões foram feitas em 11 Estados. 

De acordo com o Campo Grande News, a operação Fia Lux apurou que servidores do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) dos estados de São Paulo, Tocantins e Minas Gerais, envolvidos no esquema, chegaram a fazer até 100 inserções irregulares em conluio com o esquema. Só hoje, foram cumpridos 5 dos 6 mandados de prisão e 78 dos 82 mandados de busca e apreensão deflagrados em Mato Grosso do Sul e mais 10 estados.

O delegado Elmer Coelho Vicenzi, comandante da operação, disse em entrevista coletiva que os policiais apreenderam cerca de R$ 500 mil em espécie, veículos de luxo, notas fiscais e anotações que serão usadas no desdobramento da investigação. “Encontramos esses valores em vários endereços, acima de R$ 10 mil”, disse.

Na casa de uma das servidoras do Detran-SP envolvidas no esquema, foi apreendido envelope contendo grande quantia em dinheiro. Somente esta funcionária foi responsável por cerca de 60 inserções irregulares no sistema do departamento. Os servidores foram afastados das funções e, além do processo criminal, também serão alvo de apuração administrativa.

Esquema – O inquérito Policial, instaurado no fim de 2020, teve origem após ter sido detectada a clonagem de veículos do Exército. Os números dos chassis eram utilizados ilegalmente com objetivo de obter documentos legítimos, de forma a tentar “legalizar” veículos oriundos de roubo ou furto.

Vicenzi explicou que a fraude começa quando o Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) entra no banco de dados do Detran. Em situação regular, os dados entram em pré-cadastro para depois ser finalizado com os trâmites regulares.

Os servidores envolvidos no esquema não davam continuidade ao serviço. “Os criminosos utilizavam essa brecha para obter chassi que serão usados para esquentar carros roubados ou fazer ‘veículos de papel’”.

“Isso gerou verdadeiros absurdos, como motor de carro do Exército se transformar em Land Rover, e aconteceu porque servidor fez essa alteração no sistema”, disse o comandante da operação.

O delegado enfatizou que o esquema não tem qualquer participação de integrantes do Exército, “que colaborou prontamente para a investigação”, disse Vicenzi.

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