Investigação
Agente da PM de Mato Grosso do Sul foi preso após investigação identificar atuação em favor de criminoso. Corporação diz que ele fazia estágio no Departamento de Operações de Fronteira
Um policial militar do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), tropa de elite da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, é suspeito de integrar o grupo paramilitar contratado para a segurança do megatraficante Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota, conhecido como “Dom”.
O traficante, que controla uma rede criminosa na fronteira do Brasil com o Paraguai, escapou de uma operação das polícias dos dois países fugindo de helicóptero, na última sexta-feira, 30. A Polícia Federal suspeita que um vazamento de informações sobre a operação ajudou a fuga de Dom.
O 3º sargento Ygor Nunes Nascimento, lotado no batalhão do DOF em Dourados, no sul do Estado, foi preso por policiais do próprio departamento e agentes da PF. A prisão foi acompanhada pela Corregedoria da PM. Com ele foram apreendidos uma pistola Glock com numeração raspada, um carregador com 17 munições e dois carregadores de fuzil.
Durante o depoimento, Nascimento invocou o direito ao silêncio e não deu explicações sobre a arma. O PM teve a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Federal de Ponta Porã.
No despacho, o juiz Fábio Fischer se referiu ao policial como integrante de um grupo de mercenários. “A investigação demonstra que Motinha colocou em sua rotina de vida (já que andava escoltado) e de seus atos ilícitos (tráfico de drogas) a atuação desse grupo de homens fortemente armados e com grande know/how policial/militar, sendo denominado por enésimas vezes pelos órgãos de investigação (MPF e DPF) como mercenários”.
Conforme a PF, o policial é conhecido na organização criminosa como ‘Romanov’ e teria atuado na escolta de traficantes que ele deveria prender. A tropa especializada do DOF tem a missão de reprimir a ação de criminosos ao longo de mais de 800 quilômetros de fronteira com o Paraguai e a Bolívia.
As principais rotas de escoamento da cocaína boliviana e da maconha paraguaia cruzam a fronteira, onde o “clã Mota”, como é conhecida a família de ‘Dom’, atua desde a década de 1970. O apelido “Dom” é referência à máfia siciliana de Dom Corleone, retratada no cinema na trilogia “O Poderoso Chefão”.
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