Polícia
Jamil Name Filho, Vladenilson Olmedo e Marcelo Rios são réus pelo assassinato com fuzil de Matheus Coutinho
O primeiro dia do julgamento de Jamil Name Filho, conhecido como Jamilzinho, Vladenilson Olmedo e Marcelo Rios, nesta segunda-feira, 17, é marcado por discussões entre testemunhas, defesa e promotoria, além de emoção da família de Mateus Coutinho, de 19 anos, fuzilado na porta de casa por engano. Considerado “julgamento da década”, a sessão no plenário do Tribunal do Júri, em Campo Grande, era aguardada por clamor popular, já que o crime causou comoção pela violência.
Olhando para os três acusados do crime, Paulo Xavier, pai de Matheus, prestou depoimento com a voz embargada, emocionado ao relembrar a figura do filho. Paulo era o real alvo dos réus.
"Dirigia com uma mão e com outra segurava o corpo do meu filho. Com uma mão segurava ele, conversava com ele, ele ainda respirava gemia", lembrou segurando as lágrimas, conforme o Jorna Midiamax.
Paulo conta que dirigiu pela Avenida Afonso Pena até chegar na Santa Casa. "Meu amado filho ainda respirava com dificuldade e eu dizia para ele, eu dizia resista, resista" contou, gesticulando como o sangue saía pela boca e nariz de Matheus. "São situações que não esqueço nenhum segundo. Meu amado filho naquela situação".
Disse que ao chegar no hospital o filho já não respirava. “Eu falava ali na frente, salva o meu filho. Eu vi que um balançou a cabeça negativa, mas disse vamos levar. Eu fiquei esperando porque não podia entrar, logo veio uma psicóloga falando que ele tinha falecido".
Discussão em plenário
Ainda conforme o site, o juiz que preside o júri, Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, deu ‘bronca’ na defesa.
A delegada da Polícia Civil Daniela Kades foi a primeira a prestar depoimento. Testemunha de acusação, a delegada atuou na força-tarefa da Operação Omertà.
O advogado Márcio Widal, que atua na defesa de Marcelo Rios fez questionamentos sobre datas e páginas que constam nos autos do processo.
Assim, ao questionar a delegada sobre data de uma suposta transferência bancária entre os réus, o advogado recebeu uma ‘chamada’ do juiz. “Doutor, se tem está nos autos”, afirmou o magistrado.
A delegada também chegou a mostrar frustração com a defesa, uma vez que foi interrompida por um dos advogados durante o discurso. “O senhor vai me deixar falar?”
Os ânimos continuaram alterados com outras testemunhas, como do Thiago Macedo, que prestou depoimento de acusação.
O delegado se irritou ao ser questionado pelo advogado de defesa de Marcelo Rios sobre a investigação inicial, isso porque o crime aconteceu em abril de 2019, mas Thiago ingressou no caso em outubro daquele ano.
O delegado foi questionado se no mesmo dia da prisão de Marcelo compareceu um advogado e se outros advogados o entrevistaram também, mas o delegado disse que não se recorda, por já ter anos e cerca de 15 mil páginas de processo.
"Não sei ser tão preciso como o senhor afirma. É o que aconteceu, é o que está relato em documento público. é o relatório de investigação. é o que foi passado nas reuniões da força tarefa pelos colegas que já estavam na época. Eu confio muito nas informações que eles prestaram", disse.
Crime brutal
Matheus foi morto em frente de casa, na Rua Antônio Vendas, no Jardim Bela Vista, no dia 9 de abril de 2019. O processo aponta que a morte teria sido encomendada ao pai da vítima com orientações repassadas por Vlade e Marcelo Rios, a mando de Jamil Name e Jamil Name Filho.
A vítima foi fuzilada com disparos de fuzil AK-47, que manobrava a caminhonete em frente da casa, os criminosos acreditavam que Paulo estava no veículo.
O grupo integrava organização criminosa, com tarefas divididas em núcleos. Para o MPMS, Jamil e Jamil Filho constituíam o núcleo de liderança, enquanto Vlade e Marcelo Rios eram homens de confiança, ‘gerentes’ do grupo.
Susto
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