dothCom Consultoria Digital
Publicado em 01/10/2008 às 07:45
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O governo elabora um lote de medidas para aumentar o crédito aos exportadores brasileiros.
As providências serão levadas a Lula nos próximos dias.
Deve-se a revelação da novidade a Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (foto).
Afora o sobe-desce da Bolsa, o efeito mais visível da crise dos EUA na economia brasileira foi o rareamento do crédito bancário.
Exportadores queixam-se de que, nas últimas duas semanas, passaram a lidar com a dificuldade de obter linhas de financiamento para os seus negócios. Além de raro, o dinheiro ficou mais caro.
O governo também reconhece a existência do problema. Daí a decisão de socorrer os exportadores.
Uma decisão que Miguel Jorge trouxe à luz durante solenidade promovida pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A entidade levou à página que mantém na internet uma síntese do que disse o ministro. Ele antecipou três providências que chamou de "óbvias":
1. Reforço do orçamento do Proex (Programa de Financiamento às Exportações). Trata-se de programa gerido pelo Banco do Brasil;
2. Aumento do volume de recursos disponíveis para as ACCs (Adiantamentos de Contrato de Câmbio).
A ACC é uma ferramenta utilizada pelo Banco Central para antecipar aos exportadores o pagamento de mercadorias vendidas no exterior.
3. Reforço do volume de dinheiro disponível no BNDES para o financiamento de empresas exportadoras. São empréstimos muito cobiçados no mercado. Cobram juros anuais de 6,25%.
Além desse cardápio "óbvio", Miguel Jorge insinuou na manifestação feita na CNI que serão adotadas providências adicionais, mais "criativas".
"Precisamos, num momento como esse, ter criatividade", disse o ministro. As medidas estão sendo costuradas pela pasta de Miguel Jorge, pelo ministério da Fazenda e pelo BC.
Há no ministério da Fazenda um estudo encaminhado pela Fiesp acerca do problema da escassez de crédito.
Sugere que o governo use um pedaço dos cerca de US$ 200 bilhões de suas reservas internacionais para "molhar" o mercado de crédito, por meio de um fundo de financiamento às exportações.
É improvável, porém, que a sugestão venha a ser acolhida pelo governo. O BC se opõe fervorosamente à idéia. Em privado, Lula também diz que não cogita lançar mão das reservas.
Presente à mesma solenidade da CNI, o vice-presidente José Alencar ecoou Miguel Jorge. Referiu-se especialmente à conveniência de reforçar orçamento do BNDES:
"Ele é um banco raro. São poucos os bancos que têm seus recursos e estão emprestando dinheiro a 6,25% ao ano".
Antes do ministro e do vice-presidente, falara o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto.
Disse que o Brasil deveria aproveitar a crise que vem de fora para realizar as chamadas "reformas estruturais". Mencionou a tributária, empacada no Congresso.
"Vamos aproveitar a crise para o Brasil retomar uma agenda que perdemos, para fazer o dever de casa em vez de ficar sempre imaginando que o cenário externo será muito benigno, favorável como foi nos últimos."
Armando Monteiro disse que a CNI trabalha com a perspectiva de que o PIB de 2008 cresça algo como 5%. Mas prevê um cenário inóspito para 2009.
No ano que vem, o crescimento econômico deve, segundo ele, mais modesto: entre 3,5% e 4%. "A CNI já projetava um crescimento menor mesmo antes desse pico da crise."
De resto, Armando Monteiro entoou, também ele, um discurso de proteção aos exportadores.
"Temos uma série de instrumentos de crédito, financiamento, desburocratização, de desonerações que podem ser promovidas. É uma agenda extensa..."
"...É uma agenda que precisa de atenção permanente, porque as exportações representam para o Brasil uma opção estratégica. O país não pode perder participação no comércio mundial."
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