Três ministros votaram para manter decisão de André Mendonça; análise foi interrompida após pedido de vista de Gilmar Mendes
Rhobson Tavares Lima - Jornalista
Publicado em 08/09/2026 às 12:45
Atualizado em 10/09/2026 às 14:32
A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria, nesta terça-feira (08), para manter a decisão do ministro André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues.
De acordo com informações da Agência Brasil, os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam os votos durante a sessão e, junto com Mendonça, formaram maioria de três votos entre os cinco integrantes da Segunda Turma. O julgamento, porém, ainda não foi concluído.
A análise foi interrompida após o ministro Gilmar Mendes apresentar um pedido de vista logo no início da sessão extraordinária, realizada a partir das 10h (de Brasília). Com isso, a liminar de Mendonça, que determinou o afastamento de Rodrigues, continua válida enquanto o julgamento não for encerrado.
Além do diretor-geral da PF, a decisão de Mendonça também havia determinado o afastamento do delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência da corporação. A medida foi tomada após pedido apresentado pelo partido Novo.
Mendonça justificou o afastamento alegando ter sido alvo de monitoramento ilegal durante o mês de agosto. Segundo a decisão, teriam sido produzidos pelo menos seis relatórios de inteligência mantidos de forma oculta. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também teria sido monitorado.
A existência dos documentos veio à tona depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tornou público um dos relatórios. Na ocasião, Moraes afirmou que o conteúdo indicaria possíveis abusos de autoridade cometidos por Mendonça na condução, como relator, de investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master e seu antigo proprietário, Daniel Vorcaro.
Conforme informações da Agência Brasil, a divulgação do relatório ocorreu depois de Mendonça tornar públicas mensagens recuperadas do celular apreendido de Vorcaro. Segundo a PF, parte dessas mensagens teria sido enviada a Moraes.
O conteúdo divulgado aponta uma relação de proximidade entre o ex-banqueiro e o ministro. Em uma das mensagens, Vorcaro aparenta indicar que Moraes teria recebido e editado um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Em outra conversa, o ex-banqueiro aparenta procurar Moraes em busca de informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. O ministro, por sua vez, nega ter mantido contato com Vorcaro.
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