Política
dothCom Consultoria Digital
Publicado em 10/11/2008 às 17:48
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
A coligação "Competência para Dourados Crescer", que teve como candidato a prefeito o vice-governador, Murilo Zauith (DEM), protocolou na sexta-feira recurso contra a decisão do juiz da 43ª Zona, Jonas Hass Silva Júnior, que absolveu de acusações de compra de votos com cestas básicas o prefeito eleito Ari Artuzi (PDT), o vice, Carlos Roberto de Assis Bernardes "Carlinhos Cantor" e Cláudio Marcelo Hall (PR), "Marcelão" (PR).
O advogado da coligação, Alessandro Lemes Fagundes, entrou com recurso junto ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral), pedindo a cassação de candidatura ou a não expedição do diploma dos acusados, baseado em provas "robustas" que tem contra candidatos eleitos, ao contrário do que julgou o juiz Jonas Hass, alegando "improcedente" as provas apresentadas.
De acordo com o advogado, as duas mulheres presas em flagrante junto com Reginaldo Miguel da Silva, 42, funcionário da Câmara de Vereadores e que trabalhava na campanha de Marcelão, confessaram que receberam cestas básicas de Reginaldo e que este pediu "vê se ajuda eu", salientando o bordão da campanha eleitoral de Ari Artuzi.
Segundo o depoimento na Polícia Federal, Iolanda Ribeiro Lopes, ficou muito "contente" e "agradecida" pelo presente e por conta disso votaria em Ari Artuzi e Marcelão. Na casa de Reginaldo, a Polícia Militar encontrou ainda cestas básicas acondicionadas com santinhos dos candidatos eleitos.
Outro forte indício de envolvimento, é o fato de Reginaldo, preso em flagrante, ter recebido serviços do advogado de Ari Artuzi, Fernando José Baraúna Recalde.
O funcionário público, que ganha R$ 836,00, tem cinco filhas e mulher, disse em depoimento que "comprou as cestas básicas com recursos próprios" para ajudar Marcelão na campanha, já que com a vitória do candidato nas urnas poderia garantir o cargo em comissão que mantém na Câmara de Vereadores.
De acordo com Alessandro, em três depoimentos, o que se tirou de concreto é que Reginaldo é assessor parlamentar, com mais de 15 anos de serviços perante o Legislativo Municipal e Estadual, sempre com relações estreitas com Carlinhos Cantor e Ari Artuzi.
"Não é surpresa nenhuma ele estar distribuindo cestas básicas em troca de votos para seus amigos de longa data", acrescenta o advogado.
Foi levantado também que além de distribuir cestas básicas aos moradores da região, com propaganda eleitoral de Ari Artuzi, Carlinhos Cantor e Marcelão, a casa de Reginaldo, localizada no Canaã IV, ostentava pintura com as propagandas eleitorais dos candidatos. Na frente da casa de Reginaldo, no dia do fato, estava estacionado um ônibus com propaganda eleitoral de Ari, Carlinhos e Marcelão.
"Qualquer leigo em análise de prova não chegaria a outra conclusão; a única lógica é que Reginaldo trabalhava na campanha e fazia distribuição de cestas básicas, adquiridas pelos candidatos, já que não ganharia o suficiente para comprar com recursos próprios, haja vista que tem uma família grande para sustentar", diz o advogado.
Para Alessandro, se as provas apresentadas não fossem procedentes, os promotores eleitorais não teriam oferecido denúncia contra os acusados. Além disso, o juiz eleitoral da 18ª Zona, José Carlos Souza, que analisou o fato em âmbito criminal, acatou todas as provas, considerando um crime eleitoral.
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