Política
dothCom Consultoria Digital
Publicado em 16/06/2009 às 08:36
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de 79 anos, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que não cometeu erros ao indicar parentes para cargos na Casa e disse que não vai renunciar. Em meio a uma série de denúncias a respeito de desvios administrativos no Senado, Sarney alegou suspeitar de sabotagem interna.
- Não descarto essa hipótese. Até porque falam dos atos secretos, mas só aparecem os meus. Não tenho provas - afirmou.
Em relação ao recebimento de R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês, Sarney reafirmou não ter percebido que ganhava o benefício e disse que vai devolver os valores.
- Vou ressarcir. Está em estudo como é que se deve proceder. Isso será um gesto pessoal.
Em relação aos colegas, afirmou que ninguém está obrigado a fazer a devolução.
- Eles estão usufruindo benefício que é extensivo ao funcionário público de maneira geral.
Sobre a contratação de seu neto por meio de um ato secreto pelo senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), Sarney disse que tudo ocorreu à sua revelia.
- Se ele tivesse me consultado, teria sido o primeiro a dizer não - disse o presidente do Senado à Folha.
Em relação aos atos secretos que nomearam duas sobrinhas de Sarney, empregadas em gabinetes de senadores, de Roseana Sarney (PMDB-MA) e de Delcídio Amaral (PT-MS), o presidente do Senado afirma que, no caso de Roseana, pode ter havido uma "armação". Já no caso de Delcício, Sarney confirma o pedido de contratação.
- Do Delcídio, eu realmente pedi a ele, uma sobrinha da minha mulher, funcionária de carreira do Ministério da Agricultura, mudou-se para Mato Grosso do Sul, pedi que ela fosse requisitada para trabalhar no gabinete dele. Eu acho que não tem nenhum erro em ter feito esse pedido a ele - disse.
Sarney afirmou ainda que, apesar de haver muitas falhas na administração do Senado, sua conduta deveria ser julgada "com mais respeito".
- Sou o parlamentar mais antigo neste País. Estou fazendo um esforço grande na minha idade - disse.
Sarney acredita que a política brasileira vive um período de crise da democracia representativa.
- Há uma tendência de buscar uma democracia direta. Tudo aponta nesse sentido.
Por fim, Sarney afirmou que pretende continuar no cargo.
- Minha vida foi sempre feita de desafios. Vou exercer até o fim.
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