Projeto prevê a legalização de bingos, cassinos e jogo do bicho
João Marcelo Correia Sanches
Publicado em 11/10/2021 às 13:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:14
Membros do governo federal e parlamentares tentam legalizar cassinos, jogo do bicho e bingos, além de definir regras mais claras para jogos eletrônicos, poker, sinuca e outros, quando a proibição dos jogos de azar no Brasil recém-completa 80 anos.
Explorar jogos de azar é considerado contravenção penal (uma infração menos grave do que um crime) desde 1941, por força de um decreto-lei assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.
Em entrevista à "Veja" em setembro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que não apoia a legalização de jogos de azar. "Acho que vai ter mais a perder do que a ganhar no momento. Se porventura aprovar, tem o meu veto, que é natural, e depois o Congresso pode derrubar o veto", afirmou. A declaração é vista como um aceno à base evangélica do presidente, que de modo geral se opõe aos jogos de azar.
Isso porque os ministérios da Economia e do Turismo têm proposto discussões e estudos sobre a legalização, que avança aos poucos no Congresso.
Críticos da legalização dizem que ela estimularia a criminalidade e que teria um alto custo social, não compensado pelo benefício à economia.
Auditores são contra a legalização de jogos de azar – No Brasil, instituições como a Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) e a ONG Brasil Sem Azar militam contra os projetos de legalização.
Vilson Romero, coordenador de estudos socioeconômicos da Anfip, diz que os jogos de azar estão enraizados no Brasil, tanto pela loteria oficial da Caixa quanto por estabelecimentos clandestinos e sites internacionais. Ainda assim, segundo o auditor aposentado, a legalização será um estímulo à criminalidade, pois o país não tem estrutura para fiscalizar a atividade.
“Haverá um incentivo à prostituição, ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à ludopatia [vício em jogo]. É um alto custo social que não será compensado com a prometida arrecadação ou criação de empregos”, afirma Vilson Romero, da Anfip.
Defensores da legalização, como o deputado João Carlos Bacelar (Pode-BA) – presidente da Comissão do Turismo na Câmara do Deputados –, alegam que os jogos de azar são inevitáveis e, portanto, é melhor que o governo possa controlar a atividade e arrecadar com ela. "O jogo será ilegal ou legal. Não existe hipótese de não haver jogo", diz o parlamentar.
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