Justiça
Material foi solicitado pelos ministros antes da sessão desta terça-feira; STF analisará relatório sobre suposta relação entre Vorcaro e Moraes
Publicado em 14/09/2026 às 13:50
PF entrega a Gilmar e Zanin íntegra de dados do celular de Vorcaro / Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), receberam, nesta segunda-feira (14), da PF (Polícia Federal) a íntegra do material extraído do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A entrega ocorreu às vésperas do julgamento marcado para esta terça-feira (15).
De acordo com informações da Agência Brasil, os dados foram enviados após os dois ministros encaminharem ofícios à Polícia Federal solicitando acesso ao conteúdo completo. A discussão sobre a liberação do material vinha sendo travada dentro do Supremo, principalmente após o relator do caso Master, ministro André Mendonça, apontar riscos às investigações com a divulgação integral dos arquivos.
Mendonça havia afirmado no domingo (13) que a disponibilização de todo o conteúdo poderia “tumultuar o julgamento” e comprometer o andamento das investigações. O ministro sustentou que os elementos utilizados na sessão desta terça já estavam disponíveis aos integrantes da Corte.
Zanin e Gilmar, por outro lado, defenderam que os ministros tenham acesso ao conjunto completo das informações antes da análise do caso. O objetivo é permitir que cada integrante do colegiado forme sua própria avaliação a partir da íntegra dos dados, e não apenas de recortes ou sínteses produzidos durante a investigação.
Alexandre de Moraes também havia cobrado que o material fosse disponibilizado aos demais ministros. Em manifestação, afirmou que não caberia ao relator selecionar quais documentos poderiam ser acessados pelo colegiado durante o julgamento.
O plenário do STF tem sessão extraordinária marcada para esta terça-feira para analisar um relatório da Polícia Federal que aponta 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Segundo o relatório, em uma das conversas Vorcaro teria enviado para apreciação de Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.
Moraes nega ter mantido contato com Vorcaro. A Polícia Federal informou que as respostas dadas pelo interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser recuperadas.
O julgamento também envolve um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que o relatório da PF seja considerado nulo. O órgão sustenta que Mendonça não teria comunicado à Presidência do Supremo nem solicitado autorização do plenário antes de permitir o avanço de uma investigação envolvendo outro ministro da Corte.
Ao retirar o sigilo de parte do material relacionado ao caso Master, Mendonça encaminhou ao plenário a discussão sobre a eventual abertura de investigação envolvendo Moraes.
Em reação, Moraes apresentou um documento que classificou como relatório de inteligência da PF e levantou suspeitas sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações relacionadas à Operação Compliance Zero. O material, contudo, não é assinado nem possui timbre da corporação e traz a indicação de que foi elaborado como conjectura, sem valor probatório.
Moraes pediu ainda a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A análise desse pedido foi marcada pelo presidente do STF para 23 de setembro.
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