Celebrada hoje (2), a data relembra que há vários desafios a serem conquistados, sobretudo no ambiente escolar
Vanessa Ricarte
Publicado em 02/04/2018 às 11:06
Atualizado em 10/09/2026 às 14:01
Empatia e informação. Duas características que costumam faltar à maioria das pessoas ao lidar com autistas. No caso das crianças e adolescentes em idade escolar, elas sofrem com o diagnóstico, muitas vezes demorado, além de ser incompreendidas no meio em que convivem. No Dia Mundial do Autista, assegurado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e comemorado nesta segunda-feira (2), mães de Aquidauana e região relatam que ainda é preciso vencer muitos desafios para proteger os filhos e propiciar dignidade no tratamento aos pequenos. Talvez a maior das barreiras seja o preconceito.
Tarina Freitas, 38 anos, dona de casa, é mãe de um menino de 10 anos, A campo-grandense que mora há 13 anos em Aquidauana diz que foi uma luta já nos primeiros anos escolares de seu filho, hoje diagnosticado com dislexia e Síndrome de Asperger, condição do autismo que afeta a capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência.

“Meu filho desde pequeno sempre foi quieto, nunca gostou de carinho, de abraço. Como ele é o caçula da família, nós achamos que o comportamento arredio era timidez. Entretanto, desconfiava que algo acontecia, pois no segundo ano da escola, ainda tinha grande dificuldade em ser alfabetizado. Não conseguia ler, nem escrever. A professora tentou, sem sucesso, alfabetizá-lo como as outras crianças”, relata Tarina, que passou a buscar respostas sobre os problemas do filho durante a alfabetização.
A mãe do menino conta que a primeira medida foi levá-lo a uma neuropediatra na Capital. E primeiro diagnóstico foi o de dislexia. “Percebi que ele não conseguia fazer contato visual, nem socializar com outros amiguinhos. Agressividade também é um sintoma do autismo, mas nessa época ainda não tinha sido diagnosticado. Todo mundo falava que era coisa de manha, birra. Isso me machucava demais”.
Em busca de respostas, Tarina conta que em 2016, a condição do filho se agravou, já que passou a ser mais agressivo com a presença de barulho ao seu redor. “Tivemos algumas bruxas e alguns anjos no nosso caminho. O grande problema é que a escola, muitas vezes, não está preparada para dar suporte à criança com dislexia, menos ainda a com autismo. Foi preciso trocar de instituição. Só assim, a nova professora identificou que havia algo a mais do que a dislexia e voltamos a procurar outro médico.”
Desinformação: “nem parece autismo”
A dona de casa explica que a condição que acomete o filho faz com que tenha hipersensibilidade ao som. “Para nós, o que é um barulho de fundo, é uma tortura para ele. Ele não gostava de participar das festinhas da escola por conta do barulho. Demorou muito tempo para que conseguíssemos encontrar o diagnóstico dele”, afirmou.
Para ela, o preconceito é o principal entrave ao tratamento do autista. “As mães sofrem demais. A gente passa cada absurdo na escola. Muitas pessoas dizem que a criança não tem nada, que nem parece ser autista. Uma mãe já me relatou que, certa vez, quando a filha teve um ataque, as pessoas taxaram a criança de malcriada. Isso não se faz.”
Em busca de informação e apoio, Tarina Freitas participa do “Mãezinhas”, grupo de mães de autistas de Aquidauana e Anastácio, que visa trocar experiencias sobre a condição dos filhos, por meio de grupo no WhatsApp e encontros presenciais. “Ali nós nos apoiamos, porque entendemos o que que cada uma passa, todos os dias. É um grupo de carinho, atenção, porque queremos dar uma condição de vida melhor aos nossos filhos, nós os amamos demais”, desabafa.
Evento sobre autismo em Aquidauana
No Brasil, estima-se que 2 milhões de pessoas têm diagnóstico de autismo. Com diversos graus, o tratamento é oferecido pelo Centro de Especialidades Médicas de Aquidauana.
Adriana Duarte, 38 anos, do grupo “Mãezinhas” também é uma das organizadoras do 1º Encontro Autismo Sem Limites, evento que reunirá palestras sobre os métodos de ensino e intervenção e acontecerá no próximo sábado (7), na Câmara Municipal de Aquidauana, às 19 horas.
“O evento é importante para que possamos divulgar e conversar sobre o assunto. Vamos tirar o mito sobre essa condição de vida. Para nós, pais de autistas, não é ruim falar sobre autismo. Ruim é sair com nossos filhos na rua e ter que encarar o olhar julgadores das pessoas”, relata Adriana.

Para as mães de Aquidauana e Anastácio que precisam de ajuda ou queiram buscar mais informações sobre o assunto, basta entrar em contato pelos telefones 9112-2752 (Adriana) ou 9209-4770 (Thaila).
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