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Roer as unhas prejudica a saúde?

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Foram dois os motivos que fizeram a estudante Mônica Dantas, 15 anos, parar de roer as unhas. "Minha mãe vivia ficando brava comigo e eu via as unhas das minhas amigas bonitas, enquanto eu tinha só uns toquinhos", relembra. Mas ao deixar o hábito de lado, Mônica conseguiu não apenas mãos mais bonitas, como também se prevenir de uma série de problemas ao organismo.


Conhecido cientificamente como onicofagia, o hábito de roer as unhas pode trazer uma série de lesões tanto para a unha, como para a região em volta dela. "Já cheguei a machucar os cantos dos dedos de tanto roer unhas. Tinham vezes que até sangrava", comenta a estudante.


Segundo a dermatologista Alba Maria Clausen Trindade, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a onicofagia pode ter conseqüências sérias, como a deformidade e até a destruição definitiva das unhas. "Se houver um dano grande na matriz da unha, ela pode não se recuperar mais, mesmo que o indivíduo pare de roê-las", explica.


A médica salienta ainda que infecções bacterianas e virais podem prejudicar a área das cutículas, dos dedos e o contorno da boca. "Pode acontecer ainda a má oclusão dos dentes em crianças, verminoses e até a destruição das falanges dos dedos das mãos", completa Alba Maria.


Mas não se engane, dizer que o hábito de roer unhas pode fazer mal ao aparelho digestório não passa de um mito. "Não há mal algum para o estômago, nem para o intestino. As bactérias que podem causar infecção na garganta, por exemplo, não danificam o estômago", explica o gastrologista Thomas Szegö.


Tratamento
Há quem opte por tentar esmaltes com gosto ou receitas caseiras para afastar as pontas dos dedos da boca, mas o método não trata a causa da onicofagia, e sim suas conseqüências. "Os métodos caseiros de usar substâncias amargas que alteram o paladar no momento de roer as unhas nem sempre têm sucesso e podem até causar aumento da ansiedade no indivíduo", explica Alba Maria.


O tratamento da onicofagia requer acompanhamento psicológico, uma vez que, em sua maioria, as causas do hábito são de fundo emocional. "Quando a pessoa está ansiosa, ela tenta de alguma maneira aliviar essa ansiedade. E roer as unhas é uma forma de aliviar os sintomas da ansiedade", explica a psicóloga Olga Tessari.


Olga comenta ainda que o tratamento mais efetivo está em tratar a fundo as causas da ansiedade da pessoa. "Pode-se até tentar passar esmaltes, mas quando as causas da ansiedade não são tratadas, corre-se o risco de desencadear outros sintomas, como comer mais, tomar calmantes, jogar ou até mesmo beber em excesso", conta.

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