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Doença de Chagas após o transplante cardíaco é tema do Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia

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A Doença de Chagas é infecciosa e crônica, existe em quase todos os países da América Latina. Causado pelo Trypanossoma Cruzi é transmitida pelo inseto barbeiro. Pode atingir o coração, o esôfago e o intestino, porém os problemas cardíacos como a miocardiopatia, arritmias e insuficiência cardíaca são as mais comuns, provocando alto índice de mortalidade.


O 35º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular discutirá esse problema em 19 de abril, sob apresentação do dr. Reginaldo Cipullo, médico cardiologista  do setor de transplante cardíaco e disfunção ventricular do Instituto Dante Pazzanese. Ele ministrará um painel que mostrará estudos e casos abordando o tema: Recidiva da doença de Chagas após o transplante cardíaco. Devemos nos preocupar com isto?


Segundo o especialista, o transplante cardíaco relacionado à doença de Chagas é uma alternativa que contribui para a sobrevida e para qualidade de vida dos pacientes transplantados. No Brasil cerca de 15% a 20% dos pacientes que fazem transplante sofrem da doença de Chagas.


"A sobrevida dos transplantados com a Doença de Chagas é igual a de qualquer outro, cerca de 10 anos. Apenas 20% vivem 20 anos. É uma causa comum de insuficiência cardíaca em nosso meio. Nos casos terminais o indicado é fazer o transplante do coração, porém, muitos não recebem este tratamento por problemas imunológicos, pulmonares e outras doenças", comenta o dr. Reginaldo.


Os transplantados com a cardiopatia chagásica podem ter as mesmas complicações dos demais, como a rejeição celular ou a infecção. No entanto, há a chance de apresentar a recidiva, reativação da doença no coração transplantado. Após a cirurgia de transplante chagásico. Em todos os transplantados são realizadas biopsias do coração novo para observar se há a presença de rejeição, porém, nos chagásicos elas podem também diagnosticar a recidiva da doença, antes dos sintomas característicos da cardiopatia aparecerem.


"Em média 25% dos pacientes transplantados por causa da Doença de Chagas são afetados por recidivas. Porém a mortalidade nesses quadros é baixa. Em geral vivem tempo semelhante aos que não apresentaram o problema. São tratados com antibióticos e conseguem manter uma boa qualidade de vida", ressalta o dr. Cipullo.


A cardiopatia de Chagas só se manifesta após anos que o paciente a contraiu. Os principais sintomas são febre, falta de ar, mal-estar e inchaço nas pernas, na pleura e barriga. Não tem cura na fase crônica, apenas controle com tratamento de insuficiência cardíaca e transplante do coração nos casos de maior gravidade.


O 35º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular acontece de 18 a 20 de abril de 2008, no hotel WTC, na capital paulista. Reunirá os principais nomes da Cirurgia Cardíaca nacional e convidados internacionais para debater uma programação científica que abordará desde o mais simples procedimento até o transplante. A Programação completa e informações gerais em www.sbccv.org.br.

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