A nicotina é tão viciante quanto a heroína, a cocaína e o álcool, segundo os Centros de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos. Por isso, segundo os especialistas, apesar de claras evidências de que o fumo causa doenças mortais, como câncer, doença cardíaca e enfisema, mais de um a cada cinco americanos ainda fuma.
De acordo com especialistas do Centro de Controle do Tabaco de Long-Island, nos EUA, mais pessoas estão viciadas à nicotina do que em qualquer outra substância, e parar de fumar é tão difícil, ou até mais complicado do que largar outras drogas. "Há pessoas que têm nos contado que tentaram parar centenas de vezes", disse o enfermeiro Daniel Jacobsen, em entrevista ao site Newsday.
E essa dificuldade para parar de fumar também acontece, segundo eles, porque o hábito de fumar não afetaria sua vida diária. "Se você bebe uma garrafa de álcool por dia, você não funciona; se você fuma, você só tem que ir lá fora". Além disso, os fumantes seriam também viciados no "prazer de fazer alguma coisa mecânica, desinteressada", associada ao hábito de fumar.
Apesar das dificuldades, os especialistas destacam que, usando uma combinação de tratamentos com a mudança de comportamento além de apoio profissional e das pessoas próximas, é possível se livrar do vício. E vários produtos derivados da nicotina, como adesivos, chicletes, inaladores e spray nasal podem ajudar a reduzir os sintomas de abstinência. Algumas drogas prescritas também podem ajudar bloqueando os receptores de nicotina no cérebro.
Os profissionais do Centro de Controle do Tabaco explicam que apenas 20% das pessoas que tentam parar de fumar conseguem ficar livre do cigarro por mais de um ano. Mas, no programa de Long-Island, com o uso de diversas práticas e abordagens, essa taxa chega a 38%.
Ação e perigos da nicotina
Inalando a fumaça, um fumante médio toma um ou dois miligramas de nicotina por cigarro, segundo o Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos. E rapidamente ela atinge níveis máximos na corrente sangüínea e entra no cérebro. Segundo a entidade, uma pessoa que fuma um pacote e meio por dia toma cerca de 300 "golpes" de nicotina no cérebro diariamente.
Após a droga atingir o cérebro, provoca um aumento nos níveis de adrenalina, que, por sua vez, leva à liberação de glicose e um aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca e respiratória.
"A coisa mais importante é que ele está diretamente ligado ao câncer de pulmão, e nós sabemos que o câncer de pulmão é a maior causa de mortes por câncer nos Estados Unidos", disse Leah Jefferson, diretor da Sociedade Americana de Câncer.
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