De um lado, uma demanda crescente. De outro, número de doadores em declínio. Esse é o cenário dos bancos de leite materno do país.
Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, de janeiro a dezembro de 2007 foram doados 123.374 litros de leite no país, 13,6% a menos do que no mesmo período de 2006. O número de doadoras também caiu, de 110.231, em 2006, para 92.898 no ano seguinte, retração de 15,7%.
O leite humano é doado para recém-nascidos prematuros e outros bebês impossibilitados de receberem o leite diretamente da mãe. "O leite materno é importante, pois contém nutrientes adequados para o crescimento do recém-nascido. Além disso, há o aspecto imunológico: o leite transmite anticorpos que protegem o bebê de doenças que a doadora já teve", explica Maria Aparecida Mezzacappa, neonatologista e professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Muitos bebês também são alérgicos ao leite de vaca e de outros animais e precisam receber o leite humano. Quando o leite é doado de mãe para filho (em casos de recém-nascidos prematuros), os vínculos entre eles são fortalecidos e o leite tem a condição nutricional adequada para o bebê.
Por normas do Ministério da Saúde, o leite deve ser pasteurizado antes de ser distribuído. "Mas quando a mãe doa o leite diretamente para seu filho é possível utilizar o leite cru (sem pasteurização)", explica Mezzacappa.
Campanha de conscientização
Desde 2003, o Ministério da Saúde promove no dia 1º de outubro o Dia Nacional de Doação de Leite Humano que visa mobilizar a sociedade para aumentar a doação do leite materno. Neste ano, a madrinha da campanha é a atriz e doadora Camila Pitanga.
Os números sugerem um efeito positivo das campanhas. Desde 2003, o volume de leite humano coletado aumentou em 56,62% e a média de doadoras, em 55,17% (dados até o final de 2007).
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