dothCom Consultoria Digital
Publicado em 18/03/2009 às 17:34
Atualizado em 10/09/2026 às 13:54
Ora aliada dos pais contra o choro da criança, ora a vilã responsável pela interrupção no aleitamento materno. Assim, entre a cruz e a caldeira, a história da chupeta faz parte da vida das famílias há mais de três mil anos. Na semana passada, a divulgação de um estudo argentino no Brasil reacendeu a polêmica envolvendo o seu uso. A análise feita por cinco hospitais de Buenos Aires concluiu que o acessório não prejudica a amamentação - como alega a maioria dos pesquisadores -, desde que a sua introdução aconteça após 15 dias do nascimento do bebê
Segundo o trabalho, divulgado no Simpósio Internacional de Neonatologia, que aconteceu em São Paulo, de 12 a 14 de março, depois desse período a chupeta não interfere no aleitamento materno porque o vínculo entre mãe e bebê já está estabelecido. "Quinze dias foi o tempo que consideramos necessário para fortalecer a dinâmica da amamentação. E é isso que garante a duração do aleitamento materno", ressalta um dos coordenadores do estudo Néstor Vain, diretor do Departamento de Pediatria e Neonatologia da Maternidad Palermo, Sanatório de la Trinidad, de Buenos Aires.
Partindo de uma amostra de 1.021 recém-nascidos não prematuros de dois hospitais públicos e três privados da capital argentina, a análise aconteceu entre novembro de 2005 e maio de 2007. As crianças foram divididas em dois grupos. Para metade delas, a chupeta estava liberada a partir do décimo quinto dia de vida e, para a outra metade, pediu-se que não fosse feito uso do acessório. O resultado foi idêntico: em ambos os grupos a mesma porcentagem de mães conseguiu garantir que seu bebê fosse alimentado exclusivamente por meio da amamentação.
O estudo contesta pesquisas anteriores realizadas em diversos países desde 1993 e que indicam a chupeta como uma das principais responsáveis pelo desmame precoce. "O movimento de sucção do leite é diferente daquele feito com a chupeta. E o formato dos bicos pode deixar a criança confusa. Por isso, ela tende a desistir daquele que exige mais força, ou seja, o do peito", explica Débora Passos, pediatra neonatologista do Hospital Santa Joana, em São Paulo.
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