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20% das mulheres brasileiras têm enxaqueca, diz pesquisa

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O primeiro levantamento epidemiológico da incidência de dor de cabeça no Brasil, feito por sete instituições, revela que as mulheres têm o dobro de enxaqueca, enquanto os homens sofrem mais da chamada cefaleia do tipo tensional.


A prevalência média do tipo tensional (13%) foi considerada baixa. No Canadá, por exemplo, o índice é de 36% e, na Alemanha, de 38,3%. Ela foi maior em homens (15,4%) do que em mulheres (9,5%). A faixa etária em que ela aparece com mais frequência é dos 18 aos 29 anos.


Já a enxaqueca foi muito mais prevalente em mulheres -20% delas contra 9,3% dos brasileiros sofrem com esse tipo de dor no país.


A incidência média no Brasil ficou em 15,2% -um pouco acima dos 11% relatados em uma revisão de estudos de vários países. A maioria das vítimas está na faixa dos 30 aos 39 anos.


Sobrecarga emocional


A maior incidência de enxaqueca nas mulheres era esperada. "Essa dor é mais sensível a variações hormonais", diz um dos autores, o neurologista Mario Peres, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).


Além disso, ela está ligada ao estresse e ao estilo de vida. "Muitas mulheres enfrentam sobrecargas emocionais para conciliar filhos e trabalho", diz ele. A prevalência dela em homens e mulheres também foi maior na cidade de São Paulo.


A enxaqueca e o tipo tensional são os mais comuns entre os tipos de dor de cabeça primários -aqueles que não são sintoma de nenhuma doença, como meningite ou tumores.


Para chegar aos resultados, pesquisadores de instituições como a Unifesp, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, entre outras, ouviram 3.848 voluntários com idades de 18 a 79 anos nos 27 Estados brasileiros. Além de relatar as características da dor de cabeça, os entrevistados responderam ainda a questões sociodemográficas.


Os resultados revelaram também que 6,9% da população tem cefaleia crônica diária. Isso significa que essas pessoas sentem dor de cabeça durante mais de 15 dias por mês.


A cefaleia crônica é uma complicação de qualquer tipo de dor de cabeça, frequentemente causada por mau uso de remédios. Segundo os autores da pesquisa, se a pessoa toma analgésicos mais de dois dias por semana, o cérebro fica viciado, o que pode provocar uma dor de cabeça de rebote.


A prevalência de quase 7% foi considerada alta, similar à de países subdesenvolvidos. Em países europeus a taxa fica entre 3% e 4%. "Ela está associada à falta de tratamento correto", explica o neurologista Luiz Paulo de Queiroz, da Universidade Federal de Santa Catarina, também autor do trabalho.


Prevenir crises


Atualmente, o tratamento das cefaleias busca prevenir as crises. Para isso, são ministrados medicamentos que agem nos neurotransmissores envolvidos na dor e na dilatação dos vasos, como anti-hipertensivos, anticonvulsivantes e até antidepressivos. Além disso, é fundamental mudar hábitos de vida, como ter horários de sono regulares, evitar alimentos e bebidas que disparam a dor, como o vinho tinto, e controlar o estresse e a ansiedade.


A enxaqueca é considerada uma doença crônica caracterizada por crises de dor devido a uma disfunção transitória do cérebro. Trata-se de uma das cefaleias mais incapacitantes.


Já o tipo tensional está mais relacionado à tensão, tanto muscular quanto emocional. Nesse caso, além dos medicamentos preventivos, outras medidas como atividade física, ioga, acupuntura e até psicoterapia também ajudam a evitar novas crises.

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