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Tons fortes dominam feira de acessórios em Paris

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"Acessórios são a melhor fórmula anticrise." Assim define o designer francês Philippe Ferrandis o poder que colares, chapéus, bolsas e acessórios têm no imaginário feminino. Ele é um dos mais de 300 expositores que participam do salão Première Classe, que acontece até segunda-feira em Paris, junto com vários outros eventos de moda que pegam carona nos desfiles prêt-à-porter. E a fórmula anticrise da maioria dos expositores é apostar nas cores fortes e vibrantes dos pés à cabeça. Sim, de sapatos a chapéus, passando por bolsas e colares.


Philippe Ferrandis lembra que os colares, brincos e braceletes - no caso deles feitos com pedras e resinas coloridas e com formato grande - fazem parte da alma feminina e são ideais para serem usados por mulheres que vêem nos acessórios uma forma de serem chiques. O designer acaba de lançar a primeira coleção da marca Jacques Faith, desde que a Maison parou de fabricar acessórios, em 1958. "Comprei os direitos para fazer joias e bijuterias. Revisitei o que a marca fazia nos anos 50 e lancei a coleção, que tem estilo vintage", disse ao Terra. As peças Jacques Faith têm também cores, como pink e amarelo, misturados a preto.


Na cabeça
O famoso chapeleiro inglês Philip Treacy expõe seus famosos e exuberantes chapéus em tonalidades fortíssimas: laranja, amarelo, azul, verde, rosa. Se Chanel, que começou como chapeleira diminuindo o tamanho dos acessórios usados no começo do século XX, visse as criações, cairia de costas. São grandes, fortes e chamativas. È para mulheres de atitude. Um deles é colocado na cabeça como tiara.


Chapéu, aliás, é uma coisa que está nas ruas e nas araras das lojas de Paris. Para o inverno, porém, são cores mais sóbrias. Mas os modelos tradicionais chegam em tons fortes também, como o mostrado na feira pela grife italiana Inverni. De azul a rosa, passando por verde, amarelo, abóbora.


Mãos
A brasileira Serpui Marie, que há 10 anos participa da Première Classe, levou várias bolsas feitas com fibras naturais, como buriti, vime e folha de bananeira, em tons fortíssimos, mesclando também com alguns naturais. As pequenas bolsas de mão, em rosa, verde, amarelo, azul e roxo, feitas de fibra de buriti, são ideais para complementarem looks mais básicos em ocasiões formais ou nem tanto.


Nos pés
Os calçados altos, coloridos e diferentes quase dominaram os estandes calçadistas da feira. O designer inglês David Wyatt, que há 10 anos vive em Milão, afirmou que calçados poderosos assim são ideais para serem usados com o "Little Black Dress", ou o famoso pretinho básico. Ele criou sapatos com salto altíssimos, com mistura de cores ou com objetos aplicados, como se fosse uma antena parabólica. "São para mulheres apaixonadas e que adoram festas."


A finlandesa Minna Parikka diz que gosta de colocar humor em suas criações, principalmente para o verão. Sua coleção traz bocas e corações nos calçados, que vão do pink ao amarelo.


Os pés são também a paixão das marcas brasileiras Sylvie Quartara e da Madame K, das irmãs Carla e Daniela Kapeller. Sylvie lançou sua marca há dois anos, após trabalhar na área de decoração. Sua coleção para o verão 2010 tem como tema o caleidoscópio. Traduzindo: cores e mais cores. A modelagem em geral é básica, mas a cor e os detalhes, como broches, marchetaria e saltos diferenciados (com aplicações ou arrendondados, feitos com fibras) são a marca de Sylvie. "Sempre trabalhei na área de design, de decoração, então meu foco é esse", disse. Escarpins estampados e modelos com acrílico fazem parte de suas criações.


"As sandálias coloridas dão vida ao visual básico", afirmou Daniela Kapeller, responsável pelo designer da Madame K. A grife, criada há quatro anos só trabalha com couro de crocodilo e de cobra phyton, e usa ouro 18 e prata 925 em alguns detalhes. O preço de uma peça da Madame K pode chegar a mais de R$ 2 mil. "A mulher tem de sentir desejo de comprar e saber que daqui a cinco anos vai poder usar o calçado", afirmou Daniela.


O desafio para o verão 2010 foi tingir os couros, técnica que leva aproximadamente um mês. Roxo, amarelo, azul, pink e coral. Ou seja, as cores intensas do verão fazem parte da coleção, assim como os nudes. Não custa lembrar: acessórios hipercoloridos, para "espantar a crise", como disse Philippe Ferrandis, pedem roupas de formas simples e cores tranquilas. Se quiser entrar na onda colorida, escolha uma peça só mais forte, o resto tem de ser básico para não parecer uma instalação artística.

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